Dia a dia

Amazonas detém maiores taxas de câncer de colo

De acordo com a médica, atualmente, a amostra coletada do colo do útero é analisada em lâminas - foto: divulgação

De acordo com a médica, atualmente, a amostra coletada do colo do útero é analisada em lâminas – foto: divulgação

A proposta de um novo exame de Papanicolau capaz de aumentar em 100% a precisão dos diagnósticos de câncer de colo de útero, causado pelo Papiloma Vírus Humano (HPV), foi apresentada na manhã de ontem, pela médica ginecologista Mônica Bandeira de Melo, durante uma cessão de tempo na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam).

Segundo ela, o exame convencional feito no Sistema Único de Saúde (SUS) está propenso a falhas e contribui para que Manaus seja a cidade com maior número de mortes por câncer de colo uterino do mundo.

O novo método é o exame de Papanicolau com citologia em meio líquido, com leitura computadorizada. De acordo com a médica, atualmente, a amostra coletada do colo do útero é analisada em lâminas, uma por uma, no microscópio. “O problema é que essas amostras muitas vezes contêm resíduos, como sangue, pus, secreção, que dificultam a identificação do vírus. Imagine que você está procurando a tarrachinha de um brinco em um chão todo sujo, cheio de folha. Assim é o método convencional. Na citologia em meio líquido, isso não acontece. É mais limpo e fácil de visualizar, porque só tem as células. Isso acaba com aquela situação que a gente chama de falso negativo”, explicou.

Na citologia por meio líquido, a amostra é colocada direto em um recipiente com um líquido que vai permitir a visualização mais limpa das células e do vírus com muito mais facilidade. Essa leitura, segundo Melo, é feita por computador. De acordo com a médica, no método convencional apenas 20% do material coletado é aproveitado para o exame. Já no método por citologia em meio líquido, o aproveitamento é de 100%. Ainda segunda ela, o novo exame é um pouco mais caro, R$ 10 ou R$ 40, em relação ao convencional, que custa R$ 7. Entretanto, compensará nos gastos públicos, com o tratamento do câncer, que custa, aproximadamente, R$ 17 mil por cada sessão de quimioterapia.

Índices

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), nos países desenvolvidos a taxa de mortes por esse tipo de câncer é menos de dez a cada grupo de 100 mil habitantes. Em todo o Brasil essa taxa é de 19,20, e no Amazonas é de 35,13 mortes a cada 100 mil habitantes. Segundo Bandeira de Melo, só a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) identifica pelo menos 200 mortes por esse tipo de câncer por ano.

A ginecologista apresentou uma série de medidas que podem contribuir para a redução desses números a médio e longo prazo, como a implantação do novo método de Papanicolau, ampliação das unidades públicas capazes de realizar o exame preventivo, a colposcopia (biópsia para os casos de suspeita do câncer) e conização (minicirurgia de tratamento e cura de pequenas lesões cancerígenas).

A médica recebeu o apoio do presidente da Aleam, Josué Neto (PSD), e demais deputados no sentido de somar esforços para a implantação do novo método, e divulgação dos cuidados e da gravidade da doença.

O presidente da casa informou que a sua assessoria irá trabalhar em um projeto de lei, em parceria com a médica Mônica Bandeira de Melo, que cria o Dia Estadual de Combate ao HPV.

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