Dia a dia

Amazonas pode ter cheias cada vez maiores, diz CPRM

A tendência para os próximos anos é que as enchentes no Amazonas sejam cada vez maiores - foto: Cheia Rio Negro Alberto Cesar Araújo/ arquivo EM TEMPO

A tendência para os próximos anos é que as enchentes no Amazonas sejam cada vez maiores – foto: Cheia Rio Negro Alberto Cesar Araújo/ arquivo EM TEMPO

Com o nível das águas subindo, o rio Negro apresenta elevação normal de cheia, informou o superintendente do Serviço Geológico Brasileiro (CPRM), Marco Antônio de Oliveira. A tendência para os próximos anos é que as enchentes no Amazonas sejam cada vez maiores.

A análise utilizada para fazer as estimativas de cheias, em período de longo prazo, de acordo com Marco Antônio, é baseada em fenômenos climáticos como um maior aquecimento do sol, que interfere diretamente nas correntes marítimas e no aquecimento dos oceanos, e na direção dos ventos, que sempre acontece de leste para oeste. Esses fenômenos naturais provocam a formação da umidade que é trazida pelos ventos para a Amazônia.

Marco Antônio explicou que os fenômenos climáticos são determinados pelo campo magnético da Terra e pela rotação do planeta, situação que não pode ser alterada. Quando essa umidade entra na América do Sul, encontra uma barreira formada pela cordilheira dos Andes, que segura toda a massa de ar, na Amazônia. Ainda segundo Oliveira, se pensarmos em um planeta mais quente em virtude do aquecimento global, mais água vai evaporar do oceano em direção à região amazônica, ocasionando assim, uma Amazônia mais úmida e muito mais chuvosa.

“Este ano, o El Niño, interferiu nas subidas das águas dos rios da nossa região. O fenômeno fez com que chovesse menos do que era esperado. A nossa expectativa é que teremos uma cheia dentro ou abaixo da média. Isso não quer dizer que nos próximos anos, esse cenário se repita, muito pelo contrário. A nossa previsão é que a cada ano, o Amazonas registre cheias cada vez mais elevadas”, observou.

Ele também ressaltou que desde 2015 o Estado vem apresentando marcas abaixo dos níveis registrados nos últimos cinco anos. Ele comentou que quando o fenômeno da enchente for grande, os indícios são percebidos ainda no mês de fevereiro, por meio das margens dos rios, que neste período já se encontram alagadas.

“Todos os rios aqui do Amazonas já estão em processo de cheia. A enchente já começou, mas ainda com o nível baixo, comparado com os anos anteriores. A subida voltou à normalidade, fato que ainda não tinha acontecido devido à falta de chuvas neste período de “inverno amazônico”. Essa situação está ocorrendo desde o segundo semestre de 2015. Isso impactou na vazante do ano passado e também no início da cheia deste ano”, avaliou.

De acordo com o chefe do Serviço de Hidrologia do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, ontem, o rio Negro registrou a marca de 22,35 metros, ficando 3,68 metros abaixo da cota registrada em 2015. Nos últimos três dias, o rio subiu 29 centímetros.

Por Gerson Freitas

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir