Economia

‘Aluga-se’: crise econômica aumenta número de pontos comerciais vazios no Centro de Manaus

Na esquina das ruas Lobo D’Almada com Saldanha Marinho, loja de uma grande rede de eletrodomésticos está fechada para aluguel – foto: Diego Janatã

Na esquina das ruas Lobo D’Almada com Saldanha Marinho, loja de uma grande rede de eletrodomésticos está fechada para aluguel – foto: Diego Janatã

A crise econômica causa um efeito visual assustador no centro comercial de Manaus e em outros pontos de concentração do varejo na cidade.

Em pontos que antigamente eram considerados de bastante movimento e disputados pelos lojistas, como, por exemplo, o das esquinas das ruas Lobo D’Almada com Saldanha Marinho e desta rua com a Joaquim Sarmento, no Centro, é possível notar vários pontos com placas de “aluga-se”, onde até o ano passado funcionavam pequenos negócios ou grandes redes de lojas.

Levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) apontou que 20% dos estabelecimentos comerciais do país, que trabalham com mão de obra formal, fecharam as portas de janeiro de 2015 a junho de 2016.

No Amazonas, aproximadamente, 500 lojas deixaram de funcionar, apenas no primeiro semestre deste ano, segundo dados da Câmara dos Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus).

O técnico em informática Fred Oliveira Batista, 33, que trabalha na loja Willcell, na rua Saldanha Marinho, disse que desde o segundo semestre do ano passado ele começou a perceber que algumas lojas da região começaram a fechar as portas. A sensação de que a situação estava pior veio há quatro meses, quando a loja de uma grande rede de vendas de eletrodomésticos parou de funcionar.

“A crise já começava a enfraquecer o comércio no ano passado, e o movimento do Centro quebrou ainda mais com algumas reformas, como a da avenida Eduardo Ribeiro. Ver um bocado de lojas fechando assusta um pouco a gente, mas temos que nos reinventar para continuar trabalhando”, disse.

Educandos
A rua Leopoldo Peres, bairro Educandos, Zona Sul, considerada de comércio tradicional, também vive a novela de empreendimentos que não se seguraram no cenário de crise. Há duas semanas, uma marca local famosa de ótica fechou as portas.

O comerciante vizinho Francisco dos Santos, 40, que trabalha há 27 anos na região, observou que, à medida que o movimento dos consumidores enfraquecia, alguns pontos comerciais iam fechando as portas, como também aconteceu com uma grande rede de supermercados.

Outro motivo que tem pesado na conta, segundo Francisco, é o peso do aluguel dos pontos comerciais. “Os donos dos pontos comerciais querem tirar o couro da pessoa, e como o momento (da economia) já não é bom, muitos acabam demitindo funcionários e encerrando o negócio”, disse.

“Nunca tinha visto lojas fechando por aqui desse jeito”, comentou o autônomo Edmar Saraiva de Almeida, 66, que trabalha na Leopoldo Péres há mais de 30 anos.

Por Emerson Quaresma

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