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Alta do dólar gera crise e mudanças de estratégia nas agências de turismo de Manaus

Bogotá, capital colombiana, é um dos destinos que vêm sendo oferecidos pelas operadoras de turismo de Manaus, para manter clientela, frente aos altos custos de pacotes para os Estados Unidos – fotos: divulgação

Bogotá, capital colombiana, é um dos destinos que vêm sendo oferecidos pelas operadoras de turismo de Manaus, para manter clientela, frente aos altos custos de pacotes para os Estados Unidos – fotos: divulgação

As despesas dos turistas brasileiros no exterior tiveram uma queda de 16%, nos quatro primeiros meses deste ano, em relação a igual período do ano passado, conforme dados do Banco Central (BC), divulgados nesta terça-feira (26).

A desvalorização do real frente o dólar, que encareceu o preço das passagens internacionais, da hospedagem e da alimentação no exterior, contribuíram para que as despesas dos brasileiros em terras estrangeiras ficassem em US$ 6.876 bilhões neste ano. Em 2014, os mesmos gastos somaram US$ 8.187 bilhões.

Com o dólar turismo cotado a R$ 3,24, nesta terça-feira, a tendência é a de que as viagens ao exterior diminuam ainda mais, avalia o empresário do setor de turismo, Acram Isper.

“Há cinco anos era mais viável viajar para o exterior, pois o dólar estava cotado entre R$ 1,75 e R$ 2. Noventa e cinco por cento dos brasileiros que viajavam ao exterior, principalmente para os Estados Unidos, era para fazer compras, seguido de visitação a parques, e turismo no geral. Agora com o dólar acima de R$ 3, as pessoas estão deixando de viajar, seja para fazer compras ou mesmo fazer turismo”, observa.

Para manter o público, muitas operadoras estão tendo que baixar preços de seus pacotes turísticos, de acordo com Acram, que estima que em torno de 50% das vendas de pacotes de viagens ao exterior tenham reduzido, em virtude da alta do dólar.

“É assustador o que vem acontecendo, algumas operadoras de grande porte já estão começando a quebrar por conta da crise”, enfatiza.
Ele não descarta a possibilidade da crise atingir as companhias aéreas que oferecem voos diretos de Manaus para destinos como Panamá, Miami e Portugal.

Roteiros alternativos

Frente à crise econômica, uma das soluções encontradas por agências de turismo é oferecer roteiros alternativos na América Latina, bem como destinos tradicionais, do nordeste brasileiro, para manter os clientes, de acordo com Raquel Pacífico da Pacífico Tur.

“Destinos dentro da América Latina, como Argentina, Chile e Colômbia são bem acessíveis. Nestes locais o Real é mais valorizado, em relação ao dólar”, observa.

Segundo ela, houve uma mudança no perfil dos turistas que viajam para os Estados Unidos. “Antes com o dolár abaixo dos R$ 3, não havia a preocupação com hotel, ingressos para os parques, aluguel de carro, seguro de viagem. Hoje, esse serviços devem estar incluídos no pacote”, destaca.

Flórida é o destino preferido dos aposentados que decidem se mudar para as terras do Tio Sam, segundo consultoria

Flórida é o destino preferido dos aposentados que decidem se mudar para as terras do Tio Sam, segundo consultoria

Na contramão da crise, a terceira idade se transformou num nicho a ser explorado nos Estados Unidos.

Uma série de benefícios oferecidos pelo governo norte-americano, como descontos especiais em cruzeiros, restaurantes, compras, acesso prioritário em hospitais, bancos e órgãos públicos vem atraindo brasileiros com mais de 60 anos, a migrarem legalmente.

Uma das sócias do Immigration Legal Solution, a brasileira Suzane Bacelar, conta que o escritório – especializado em prestar consultoria para brasileiros interessados em se mudar legalmente para os Estados Unidos -, tem atendido diversos brasileiros com mais de 60 anos, interessados em se mudar para a terra do Tio Sam.

“O destino preferido desse público é a Flórida, onde os impostos são mais baixos e o clima é mais parecido com o do Brasil”, informa.

Dinheiro e desencanto

Os idosos brasileiros que procuram consultoria para se mudar para o exterior têm duas características em comum, na avaliação da consultora: o alto poder aquisitivo e  um certo desencanto com a economia brasileira.

“Eles não acreditam que as coisas vão melhorar no curto prazo, por isso querem se mudar com toda a família para cá”.

Os idosos que conseguiram acumular um bom pé de meia ao longo da vida têm um incentivo a mais para se mudar para os Estados Unidos: a possibilidade de se conseguir um visto permanente de residência para si e para os familiares mais próximos, candidatando-se ao programa de visto EB-5, criado pelo governo norte-americano para estimular investimentos estrangeiros no país.

Por Sintia Maciel (Jornal EM TEMPO)

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