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Alojados em um galpão precário, ex-moradores da Cidade das Luzes se preparam para reconstruir as casas

Os populares que estão vivendo em um galpão, no Tarumã, cedido pelo proprietário do terreno - foto: Marcio Melo

Os populares que estão vivendo em um galpão, no Tarumã, cedido pelo proprietário do terreno – foto: Marcio Melo

Um grupo de ex-moradores da comunidade Cidade das Luzes, no bairro Tarumã, Zona Oeste, ameaça retornar ao local nesta sexta-feira (18), para reerguer as casas destruídas na ação de reintegração de posse ocorrida no último dia 11. De acordo com os populares que estão vivendo em um galpão, no Tarumã, cedido pelo proprietário do terreno, a decisão de invadir novamente a área foi a única alternativa encontrada, já que o poder público está se omitindo em ajudá-los.

Na tarde de ontem, os ex-moradores realizaram uma manifestação no Centro. Eles acusam que desde a retirada dos populares do local, nenhum órgão realizou qualquer contato com as 4,3 mil famílias que habitavam a comunidade, e que estão vivendo em condições sub-humanas.

“Estamos jogados e esquecidos. Não veio prefeitura e nem governo nos dar apoio. O dono das terras cedeu um galpão para nos abrigar, mas até quando? Sabemos que a qualquer hora ele solicitará de volta o depósito, e aí para onde iremos? Então a única forma de resolver essa situação é voltando para a terra”, disse o desempregado João Marcos, 43.

João conta que morava há nove meses na Cidade das Luzes e que o lote adquirido era a única esperança de uma vida melhor para sua família. Desempregado desde o dia da reintegração, João Marcos salienta que está disposto a travar uma nova guerra para reaver o seu terreno.

“Não foram somente casas que eles destruíram, foram sonhos de anos, empregos, famílias e acima de tudo a nossa dignidade. Hoje, não tenho um centavo para sustentar minha família e muito menos para pagar um aluguel. Já que não temos mais nada a perder, sou a favor de uma nova tentativa de invasão”, concluiu.

Sem vigilância

Em visita ao terreno, a reportagem verificou na manhã de ontem (16) que nenhuma equipe da Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) realizava vigilância no local. O cenário visto era apenas de moradores que tentavam encontrar objetos pessoais que foram deixados em uma área devastada pela guerra por terras.

A dona de casa Adriane Linhares disse que, diariamente, volta ao local onde era sua residência, com a esperança de localizar o que sobrou dos seus pertences. Ela frisa que ainda acredita no retorno para a comunidade Cidade das Luzes. “Eu perdi quase tudo, a única coisa que trouxe comigo foram algumas peças de roupas. Agora tenho que voltar no terreno para ver se consigo localizar meus objetos”, disse.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que após a desocupação da comunidade a Polícia Militar do Amazonas montou uma operação de vigilância na área. Até o momento não foi registrada nenhuma ocorrência de tentativa de retorno à área por algum morador. A SSP-AM destaca que, caso haja algum caso de tentativa de invasão, por se tratar de uma decisão judicial, a pessoa poderá ser autuada em flagrante por desobediência e até mesmo crime ambiental.

A Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh) disse que uma equipe do órgão esteve na desocupação na sexta-feira, 11, e no sábado, 12, até as 19h, fazendo o atendimento das famílias. Todos os ocupantes que procuraram os integrantes da Semmasdh foram auxiliados na mudança e cadastrados para avaliação da situação social.

Dez famílias que não tinham para onde ir foram auxiliadas pelo proprietário do terreno com o pagamento de aluguel. Às 19h de sábado, foi realizada a última mudança, não restando mais nenhum atendimento, que é feito mediante procura do morador.

Por Gerson Freitas e Bruna Souza

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