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Alimento caro ‘força’ mudança de hábito entre amazonenses

os consumidores e especialistas apontam alternativas para tentar economizar e fugir dos preços altos - foto: Marcio Melo

os consumidores e especialistas apontam alternativas para tentar economizar e fugir dos preços altos – foto: Marcio Melo

Os consumidores amazonenses têm mudado os hábitos para enfrentar a alta nos preços dos alimentos, que tiveram aumento superior a 20% nos primeiros meses deste ano. Frutas, tubérculos e principalmente o pescado são os itens que sofreram os maiores reajustes, segundo dados da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS).

Diante desse quadro, os consumidores e especialistas apontam alternativas para tentar economizar e fugir dos preços altos. A primeira estratégia é fazer uma pesquisa de preço em vários estabelecimentos da cidade antes de efetuar as compras.

Foi o caso da empresária Júlia Rosa. Para fugir dos preços altos, ela passou a fazer as compras de verduras fora das grandes redes de supermercados. “Eu percebi que os estabelecimentos menores nos bairros da periferia possuem preços mais em conta. Hoje, tenho conseguido economizar com essa estratégia”, conta.

A empresária conta também que tem notado a diminuição do poder de compra em função da alta dos preços que é praticada pelo mercado. “Compro hoje menos produtos com a mesma quantidade de dinheiro do mês passado”, afirma.

Dona de um restaurante de comida natural, a empresária Ludmilla Santos também precisou mudar os hábitos para comprar alimentos para sua casa e para o seu empreendimento. Ela destaca que procura sempre pesquisar melhor os preços, além de ficar “de olho” nas promoções.

“Eu tenho notado um grande aumento de preços, principalmente nas verduras”, revela.

Aumento

Segundo dados da SDS, as hortaliças, por exemplo, tiveram duas semanas de aumento em janeiro deste ano, sendo que na primeira, o reajuste foi de 10,70%, enquanto que, na segunda vez, o aumento foi de 11,76%.
As frutas, por sua vez, acumularam aumento em todos os três meses do último trimestre, iniciado em dezembro de 2015. Porém,o campeão dos aumentos foi o peixe. Em dezembro de 2015, o produto teve alta de 14%, em janeiro, 13%, e, em fevereiro, 26%.

Especialistas apontam soluções

Para o especialista em gestão financeira, Cleber Zanetti, uma solução para fugir dos preços altos é fazer as compras do mês em supermercados que vendem por atacado.
Por sua vez, a especialista em economia criativa, Carolina Herszenhut, afirma que chegou o momento de pensar como as pessoas podem ajudar as outras, ou seja, com compras conjuntas em  lojas de atacado de alimentos. “É hora de pensar de que maneira podemos obter produtos e serviços por meio de trocas”, diz.

Ciclos

O pesquisador e engenheiro agrônomo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Carlos Cardoso, explica que a variação no preço de alimentos, como a mandioca, por exemplo, que é utilizada no Amazonas para a produção de farinha e salgados, é influenciada pelo ciclo de mercado. “Se relaciona à produção, ao processamento, à distribuição, à comercialização e à entressafra”.
Preço da macaxeira ‘salgado’

Os tubérculos, dentre eles a mandioca, registraram aumento de 7% nas duas últimas semanas de fevereiro deste ano.

Segundo a gerente de Apoio à Produção Vegetal do Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), Anecilene Buzaglo, nos últimos meses, a oferta de alguns produtos foi considerada baixa em razão do último verão amazônico, que foi intenso devido ao El Niño.
Segundo ela, o fenômeno climático ocasionou a redução da produção, da produtividade e de perdas de áreas cultivadas. A sazonalidade também afetou o preço da macaxeira, pois o alimento é cultivado principalmente em áreas de várzea.

“Na entressafra, a macaxeira ofertada no mercado é proveniente do ecossistema de terra firme, que também foi fortemente afetada pelo último verão, comprometendo a qualidade desse produto, pois houve menor disponibilidade de água e altas temperaturas, deixando a raiz mais fibrosa e imprópria para o consumo, sendo recomendada para beneficiamento”,
explica a engenheira.
Em algumas lanchonetes da cidade, o salgado de macaxeira que antes era vendido a R$ 3 passou a custar R$ 5, aumento de quase 70%.

População busca as promoções

Para quem não vê as compras de atacado como uma solução prática, o jeito é aproveitar as promoções nas redes de supermercados. Neste caso, é importante organizar sua agenda para mais dias de compras. “Claro que requer tempo para ir ao mercado várias vezes ao mês, mas é possível economizar mais indo em diferentes locais e aproveitando os dias da semana. Sabemos, por exemplo, que bebidas e carnes sempre aumentam nos fins de semana”, diz Carolina Herszenhut.

Para o especialista em gestão financeira, Cleber Zanetti, as feiras semanais e hortifrútis continuam sendo opções mesmo em tempos de inflação. “Em média, os preços costumam ser mais acessíveis que no supermercado”, explica.

Troca na cozinha

Segundo Carolina, uma forma de reduzir os gastos com a lista de supermercado é repensar o cardápio diário. “Criar novas receitas, principalmente aquelas que podem ser feitas com alimentos mais baratos”, argumenta a especialista em economia criativa.

Por Fred Santana

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