Política

Aleam e CMM cobram rigor em fiscalização de carnes vencidas em Manaus

Wilker Barreto (no centro) vai se reunir com autoridades sanitárias – Tiago Corrêa/CMM

O impacto da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, desbaratada na última sexta-feira (17) nos principais frigoríficos do país, repercutiu nesta segunda-feira (20) entre os vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM) e provocou uma corrida entre legisladores para cobrar providências e maior fiscalização dos órgãos competentes para a carne consumida no Estado. O presidente da casa, Wilker Barreto (PHS), por exemplo, se antecipou e afirmou que terá uma reunião, amanhã, com o representante do Ministério da Agricultura no Amazonas.

Já, o presidente da Comissão de Defesa do Consumidor (Comdec), o vereador Álvaro Campelo (PP), fará uma reunião na quinta-feira com a Vigilância Sanitária, Delegacia do Consumidor e Procon Municipal. O objetivo é saber como anda a fiscalização dos lotes de carnes comprados destes frigoríficos e vendidos na capital amazonense.

Presidentes dos dois Legislativos se antecipam e anunciam reuniões com órgãos locais para verificar a vistoria das carnes  – Márcio Melo

Wilker disse ainda que a iniciativa do Parlamento é uma forma de tranquilizar a população local com respeito à fiscalização dos alimentos. “Falei com o prefeito e ele me autorizou a realizar uma reunião. Na discussão, pretendo apresentar medidas como coletas de carnes nos supermercados para a população de Manaus ter a certeza de que está consumindo produtos de qualidade”, explicou. Ele salientou que a Câmara, enquanto instituição legislativa, convoca os órgãos municipais e convida demais instituições para participar desta frente. “Vamos analisar a viabilidade de realizar esta reunião nesta quarta-feira”, frisou.

Ele confirma a existência de fiscalizações, mas admite a necessidade de mais vistorias. “Temos que ter mais segurança em relação aos alimentos. Hoje, os órgãos controladores fazem a fiscalização somente quando os alimentos estão no supermercado, mas deve haver também vistoria na entrada de carnes no Estado”, disse. “Acredito que a medida é pertinente, porque vários lotes de carnes devem ter vindo para Manaus”, acrescentou.

O presidente da Comissão de Defesa do Consumidor da casa, Álvaro Campelo, disse que na reunião promovida pela comissão irá discutir quais ações serão tomadas para garantir proteção à saúde da população de Manaus. “A intenção é promover uma grande blitz nos supermercados e nos frigoríficos e torná-la periódica”. Para ele, as fiscalizações não devem acontecer somente porque houve a Operação Carne Fraca. Questionado se já chegaram denúncias à casa, ele disse que nenhuma reclamação foi registrada e esta iniciativa é justamente para evitar que denúncias cheguem à comissão.

O presidente da Comissão de Saúde (Comsau) da Câmara, vereador Roberto Sabino (Pros) adianta que o problema afeta a saúde da população por conta das vendas irregulares do alimento. “Sabemos que ainda existem muitos vendedores clandestinos de carne e é importante fiscalizar estas irregularidades. É importante motivar os poderes para haver vistorias para que se possa trazer confiança para a população”, explicou.

O fato também repercutiu na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) e o presidente da casa, deputado David Almeida (PSD), declarou que acionará a Comissão de Saúde da Assembleia para organizar procedimentos de fiscalização.

O assunto repercutiu nesta segunda-feira (20) entre os vereadores da CMM – Tiago Corrêa

“A comissão vai acionar os órgãos de controle sanitário e animal, Vigilância Sanitária e Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado do Amazonas (Adaf)”, disse.

Investigação

A Operação Carne Fraca foi deflagrada na última sexta-feira pela Polícia Federal e investigou 40 empresas do setor alimentício envolvidas em um esquema de corrupção que liberava a comercialização de alimentos produzidos por frigoríficos sem a devida fiscalização sanitária. Indícios do inquérito revelaram que carnes eram vendidas fora do prazo de validade, misturadas com papelão e até com substâncias cancerígenas. Por enquanto, não há nenhuma recomendação oficial para suspender o consumo de carne.

Especialistas avaliam que as irregularidades são pontuais e que a carne produzida no Brasil é de alta qualidade. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) recomenda que o consumidor priorize alimentos in natura, ou minimamente processados e não embalados, e evite alimentos ultraprocessados, como salsichas e linguiças.

 

Fabiane Morais

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