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Águas olímpicas estão contaminadas mesmo longe da costa, diz agência

Novos testes que apontam que as águas da baía de Guanabara, onde serão realizadas provas do Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. foto: divulgação

Novos testes que apontam que as águas da baía de Guanabara, onde serão realizadas provas do Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. foto: divulgação

A agência Associated Press divulgou os resultados de novos testes que apontam que as águas da baía de Guanabara, onde serão realizadas provas do Jogos Olímpicos do Rio, em 2016, são contaminadas mesmo longe da costa, onde o esgoto bruto desemboca de rios fétidos e escoadouros de águas pluviais.

Isso significa que não há fator de diluição na baía ou na lagoa em que os eventos acontecerão e, portanto, não há redução do risco para a saúde dos atletas.

“Esses níveis de vírus estão disseminados. Não é só ao longo da costa, mas em toda a extensão da água, o que aumenta a exposição das pessoas que entram em contato com ela”, disse Kristina Mena, especialista em vírus transmitidos pela água e professora associada de saúde pública no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas em Houston.

Em julho, a Associated Press divulgou que sua primeira rodada de testes demonstrou a presença de vírus patogênicos diretamente associados a esgotos humanos em níveis até 1,7 milhão de vezes acima do que seria considerado altamente alarmante nos Estados Unidos ou na Europa.

Os resultados ligaram o alerta de atletas e especialistas de todo o mundo, já que, depois de evento-teste da vela realizados na baía de Guanabara, houve registro de 43 casos de mal-estar em atletas, treinadores e juízes. Segundo a comissão médica da Isaf (federação internacional de vela) a taxa de atletas infectados no evento foi de quase 9%.

Nos Estados Unidos, por exemplo, o índice máximo de doenças em nadadores aceito pela Environmental Protection Agency é 3,6%, o que muitos especialistas já consideram alto demais.

Na avaliação do médico croata Nebojsa Nikolic, membro da comissão da Isaf, o resultado apresentou uma taxa “dentro de níveis aceitáveis”.

Nessa nova rodada de teste realizados pela AP, a contagem viral encontrada a mais de um quilômetro das margens na baía de Guanabara, onde os velejadores competem, é igual à encontrada ao longo da costa, mais perto das fontes de esgotos.

“Os níveis de vírus são tão altos nessas águas brasileiras, que, se encontrássemos esses níveis em praias aqui nos Estados Unidos, elas provavelmente seriam interditadas pelas autoridades”, disse Mena.

Organização e Oms

Desde que a Associated Press expôs o risco para os atletas, autoridades olímpicas e da Organização Mundial da Saúde mudaram de opinião várias vezes quanto a realizar ou não seus próprios testes de carga viral.

“A saúde e segurança dos atletas é sempre uma prioridade máxima e não há dúvida de que a água nos locais de competição atende aos padrões relevantes”, disse o Comitê Organizador da Olimpíada do Rio em uma resposta à AP.

A organização dos Jogos também diz seguir as recomendações da OMS. “A Rio 2016 segue as orientações de especialistas da Organização Mundial da Saúde, cujas diretrizes para a segurança de águas recreacionais recomendam a classificação da água por meio de um programa regular de testes da qualidade microbiana da água”.

 

Por Folhapress

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