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‘Afiado’, amazonense Gilmar Popoca aposta em ouro da seleção brasileira

Popoca conduziu a tocha olímpica na passagem dela por Manaus – foto: divulgação

Popoca conduziu a tocha olímpica na passagem dela por Manaus – foto: divulgação

Ele tem moral para falar sobre o futebol olímpico. Em 1984, fez parte do time que conquistou a primeira medalha na modalidade para o Brasil. Mais do que a prata nas Olimpíadas de Los Angeles, o amazonense Augilmar Silva Oliveira, mais conhecido como Gilmar Popoca, foi considerado pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) o melhor jogador do torneio, além de ter ficado com a artilharia do mesmo ao marcar quatro gols em seis partidas.

Hoje, técnico do time sub-20 do Flamengo-RJ, clube que defendeu entre os anos de 1983 e 1988, o ex-meia confia na possibilidade da atual geração olímpica brasileira conquistar o inédito ouro no Rio de Janeiro. Mesmo após um começo de torneio turbulento – com dois empates diante de equipes inexpressivas no futebol mundial –, Popoca acredita que seleção tem tudo para subir ao lugar mais alto do pódio.

“Acho que o pior já passou, que foi contra a África do Sul e Iraque. Passamos bem pela Colômbia, que era um adversário mais duro, mais difícil. Agora, eu acho que o caminho está bem mais tranquilo, apesar de Honduras ser uma equipe extremamente difícil, por conta do contra-ataque, uma equipe veloz, mas não tem tradição, e talvez não suporte a pressão. Eu acredito que o Brasil deva sim chegar à final”, cravou o ex-jogador.

O otimismo do medalhista de prata em 1984 na atual seleção olímpica tem motivos. Apesar do mau começo no torneio, os comandados do técnico Rogério Micale parecem ter encontrado o caminho do gol e feito as pazes com a vitória. Em quatro jogos até o momento, a equipe liderada por Neymar ainda não sofreu gols e balançou as redes adversárias em seis oportunidades.

“Eu acho que jogando no Maracanã, com o incentivo da torcida, eles vão passar. Lógico que hoje está todo mundo cascudo, os adversários não sentem tanto, mas é sempre bom uma pressão jogando em casa, você se motiva mais, e eu tenho certeza que o Brasil entra forte nessa semifinal. E se o Neymar deixar de brigar um pouco e resolver jogar mais bola, com certeza ele vai desequilibrar ao nosso favor”, cutucou Popoca.

Duramente criticada após os empates com a África do Sul e o Iraque, a seleção brasileira reagiu e deu um boa resposta diante da Dinamarca, ao vencer por 4 a 0. Para o atual comandante do time sub-20 do Flamengo, os protestos da torcida e a enxurrada de críticas aos jogadores do escrete canarinho serviram para motivar os atletas, que se espertaram e passar a jogar com “sangue nos olhos”.

“A partir daqueles dois jogos eles devem ter ficado extremamente mordidos e, com certeza, aumentaram o nível de concentração para fazer um grande jogo e fizeram realmente. Eles sabem que são 180 minutos até o ouro olímpico. É hora do coração, além de botar toda a qualidade que eles tem, do talento, da individualidade, não podem esquecer que é uma decisão em casa e o coração tem que estar na ponta da chuteira”, explica o ex-meia.

Identidade

Uma das críticas feitas ao time brasileiro tratava da falta de raça e identidade dos jogadores para com a amarelinha. Cada vez mais comum, vários atletas estão deixando o país bem cedo, alguns sem sequer ter vestido a camisa de clubes locais, como é o caso do meia Rafinha Alcântara, que com apenas 13 anos foi para a Europa defender as cores do Barcelona-ESP, chegando a defender as categorias de base da seleção espanhola.

“Realmente tem um complicador nisso aí, porque você passa a viver na Europa, em outros países e realmente perde um pouco daquela raiz, daquela coisa de ser brasileiro. Esses jogadores têm que entender que quando se veste a camisa da seleção, seja de base ou profissional, o cara tem que fazer a diferença. Está na hora dos nossos atletas realmente abraçarem essa camisa com muito amor, muita paixão, porque são poucos os que vestem, são poucos os que conseguem fazer alguma história dentro da seleção”, declara o artilheiro das Olimpíadas de 1984.

Popoca observa os jogadores futebol dos dias atuais mais preocupados com o saldo da conta bancária do que preocupados em fazer história representando seu país. “Quando eu vim para o Flamengo, sonhava em jogar no Maracanã, vestir a camisa do clube. Depois, vestir a camisa da seleção brasileira era o máximo para a gente. Eu sei que mudou muito, hoje se preocupa muito mais com dinheiro, do que propriamente com isso. Eles precisam vestir a camisa para honrar esse país, que está precisando para ser um pouco mais valorizado”, afirma.

Pioneiro

Nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1984, Gilmar Popoca foi um dos seis “intrusos” no elenco da seleção brasileira formado por 11 jogadores do Internacional. Na ocasião ele ajudou o escrete canarinho a conquistar a medalha de prata, marcou quatro gols em seis jogos e foi considerado o melhor jogador do torneio COI.

“Foi um momento espetacular na minha vida e na vida de muitos. É o que eu falo sempre, é uma oportunidade única. Nós, brasileiros, a partir daquela seleção, daquela conquista, é que verdadeiramente começamos a valorizar uma Olimpíada, porque até então a única coisa que era valorizada pela CBF e para o futebol brasileiro era a Copa do Mundo”, cita o ex-atleta.

Uma das lembranças mais marcantes dos Jogos Olímpicos para Popoca é a hora de subir no pódio. Sem saber descrever a emoção no momento em que recebeu a medalha de prata, ele espera que os atuais jogadores da seleção possam saborear do mesmo sentimento que ele em 1984, mas desta vez com um resultado melhor: a conquista do tão sonhado ouro olímpico.

“Eu acho que cabe a esses caras entenderem isso: são dois jogos, a possibilidade de ouro é muito grande, basta eles quererem, porque potencial eles têm, uma grande equipe eles têm, agora vai depender muito deles de colocar para fora algo a mais para segurar essa medalha dourada”, finalizou o ex-jogador.

André Tobias

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