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Aeroporto de Manaus não muda em função das Olimpíadas

Infraero afirma que baixa demanda justifica ausência de procedimentos específicos – foto: Marcio Melo

Infraero afirma que baixa demanda justifica ausência de procedimentos específicos – foto: Marcio Melo

A realização de um grande evento esportivo em meio a uma epidemia de zika vírus e a proliferação do mosquito Aedes aegypti não foram suficientes para fazer o poder público promover grandes mudanças estruturais ou instalar procedimentos especiais no aeroporto internacional Eduardo Gomes, no Tarumã, Zona Oeste.

Tanto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) confirmam que nenhuma grande mudança vai acontecer em virtude das Olimpíadas do Rio de Janeiro, que acontecem em agosto. Manaus receberá seis partidas de futebol do torneio olímpico, tanto no masculino quanto no feminino, nos dias 4, 7 e 9 de agosto.

A Anvisa, por meio da Gerência-Geral de Portos, Aeroportos e Fronteiras (GGPAF), afirma que está fazendo grande reforço no combate ao mosquito Aedes aegypti por meio de palestras para a comunidade aeroportuária, monitoramento e controle do mosquito. A respeito das Olimpíadas, a entidade está confeccionando banners que serão dispostos na área de desembarque internacional de portos e aeroportos, em três idiomas, com orientações de proteção à saúde dos viajantes contra a exposição ao mosquito.

Para todos os envolvidos nos jogos foi encaminhada uma lista de cuidados com a saúde durante sua estadia no Brasil, incluindo também a orientação do uso de repelente e cobertura da maior parte do corpo sempre que possível. Outra ação, mas essa é de rotina, está no monitoramento de eventos de interesse em saúde publica a bordo de navios e aeronaves, onde, em parceria com as vigilâncias epidemiológicas do Estado e município, a Anvisa vai acompanhar casos suspeitos detectados.

A Infraero, por sua vez, afirma que o restante das obras de modernização do aeroporto Eduardo Gomes foi concluído no início de 2015 e que por essa razão nenhum procedimento estrutural será feito para atender a demanda dos jogos. De acordo com a assessoria do órgão, o local não precisa de ajustes por ter capacidade de operação anual de 15 milhões de pessoas, sendo que atende no momento a uma média de pouco mais de 3 milhões. O local fazia parte da matriz de responsabilidade do Brasil com a Copa do Mundo da Fifa 2014, mas acabou saindo da lista, o que desacelerou a reforma.

Plano

O secretário estadual de Saúde, Pedro Elias de Souza, informa que durante o período dos Jogos Olímpicos na capital, a rede estadual de saúde deverá adotar o mesmo modelo de plano de contingência, que foi utilizado durante a Copa do Mundo de 2014. O plano prevê a imediata adequação de espaços internos para abertura de leitos extras, convocação de equipes de sobreaviso, remoção de pacientes para leitos de retaguarda, entre outras medidas emergenciais no caso, por exemplo, de um acidente de grandes proporções, com múltiplas vítimas.

Ao contrário da Copa do Mundo, quando a estrutura dentro da Arena da Amazônia ficou sob a responsabilidade da Fifa, durante os Jogos Olímpicos, o governo do Estado e a Prefeitura de Manaus serão os responsáveis pelo estádio. Está prevista a instalação de sete postos de Pronto Atendimento, sendo dois destinados às delegações de atletas e os demais ao público do evento, além do serviço de remoção de urgência.

O último boletim epidemiológico, divulgado no dia 5, dava conta de que em Manaus 2.029 casos de zika foram notificados, sendo 297 confirmados. Em grávidas, são 364 casos notificados e 51 confirmados.

Sem pânico

Conforme o infectologista Bernardino Albuquerque, diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS/AM), não há motivo para pânico. “Em termos estatísticos, 80% dos casos de dengue – entre as três doenças, a que temos registro há mais tempo – se concentram no período que vai de dezembro a maio, coincidindo com a época do ano mais propícia à proliferação do mosquito Aedes aegypti, que também é vetor do vírus da chikungunya e febre zika”, afirma Bernardino.

Esta redução sazonal da população do mosquito, que ocorre por causa das características climáticas do período, impacta diretamente na queda do número de casos da doença, ressalta o diretor da FVS.

Por Fred Santana

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