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Aeronáutica decide manter apuração de acidente com avião de Roger Agnelli

Um a cada quatro aviões no Brasil hoje é da categoria experimental. São 5.158 aeronaves desse tipo, segundo a Anac - foto: divulgação

Um a cada quatro aviões no Brasil hoje é da categoria experimental. São 5.158 aeronaves desse tipo, segundo a Anac – foto: divulgação

O Cenipa, órgão da Aeronáutica responsável por investigar acidentes aéreos, decidiu levar adiante a apuração da queda do avião de Roger Agnelli, ex-presidente da Vale, que ocorreu sábado (19), na zona norte de São Paulo.

No acidente, morreram sete pessoas: o piloto e seis passageiros, entre eles Agnelli, a mulher e dois filhos.

O órgão não é obrigado a investigar acidentes com aviões experimentais – como era o caso da aeronave de Agnelli, um turbo-hélice modelo Compair CA-9 feito em fibra de carbono. Quando entende que não há benefício na apuração, deixa o caso apenas com a Polícia Civil.

Aeronaves experimentais não são certificadas pela Anac (Agência Nacional de Aviação Civil); uma das regras é que os donos voem por conta e risco.

Uma das intenções do Cenipa ao decidir investigar acidentes aéreos é o de evitar que outro aconteça em circunstâncias semelhantes. Há, no entanto, apenas um outro modelo de Compair CA-9 voando no Brasil, além do que caiu na zona norte.

Um a cada quatro aviões no Brasil hoje é da categoria experimental. São 5.158 aeronaves desse tipo, segundo a Anac.

Benefícios

Questionado pela reportagem, o Cenipa informou que o acidente com o avião de Roger Agnelli é o terceiro a ser investigado pelo órgão, envolvendo aeronaves experimentais, nos últimos cinco anos.

“A investigação do acidente ocorrido com a aeronave PR-ZRA apresenta, até o momento, indícios de que pode trazer benefícios à prevenção de novas ocorrências, seja com o mesmo modelo de aeronave ou com outros modelos. A investigação pode levantar a necessidade de ações de prevenção que se apliquem de maneira geral, o que pode beneficiar toda a comunidade aeronáutica”, disse o Cenipa, em nota.

O órgão informou que, normalmente, a investigação de acidentes aeronáuticos compara os destroços com os requisitos de certificação, que definem parâmetros mínimos aceitáveis de voo para uma aeronave.

No caso dos aviões experimentais, não há requisitos mínimos, uma vez que aviões desse tipo não são submetidos a certificação. “Assim, o trabalho da investigação pode ser comprometido pela impossibilidade de comparar o que de fato foi realizado com o que seria previsto.”

Mas, apesar desse empecilho, diz o Cenipa, “por vezes os indícios levantados durante a ação inicial indicam a possibilidade de obter benefícios à prevenção, pois a investigação não se limita à aeronave”. O órgão conclui dizendo não ter havido mudança nos procedimentos adotados.

O que se sabe até agora

Na apuração em curso, a Aeronáutica colheu depoimento segundo o qual o avião fez dois estrondos fortes no motor ao decolar, um indício de pane. Além disso, o piloto não declarou emergência, sinal de que poderia estar ocupado em manter a aeronave em voo. Não havia caixa-preta, o que pode dificultar as investigações.

Na segunda-feira (21), a Anac informou que o avião fazia voo irregular, porque, na condição de experimental, não tinha autorização para sobrevoar áreas densamente povoadas.

Por Folhapress

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