Política

Advogado de Cerveró diz em gravação que Romário tem conta na Suíça

Preso nesta quarta-feira (25), o advogado Edson Ribeiro, um dos responsáveis pela defesa do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, disse que o senador Romário (PSD) teria uma conta na Suíça -o que foi negado pelo ex-jogador, em nota oficial.


Ribeiro também associou a suposta conta a um acordo entre Romário e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), em torno das eleições municipais -o que ambos negaram.

A afirmação foi feita durante uma conversa gravada com o senador Delcídio do Amaral, líder do PT no Senado, preso nesta manhã sob acusação de obstruir as investigações da operação Lava Jato.

Os dois participavam de uma reunião com Bernardo Cerveró, filho de Nestor, e com o chefe de gabinete de Amaral, Diogo Ferreira, ocorrida em 4 de novembro, em Brasília.

A gravação foi feita por Bernardo Cerveró e usada como base para a prisão de Delcídio, Ribeiro e também do banqueiro André Esteves, dono do banco BTG Pactual. O propósito da reunião era tentar dissuadir o ex-diretor da Petrobras de fazer um acordo de delação premiada.

No início da gravação, em uma conversa informal, Amaral pediu desculpas por seu atraso. O motivo: um encontro entre Romário, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, e o secretário da Casa Civil e pré-candidato à prefeito do Rio, Pedro Paulo.

“Hoje eu estava com a minha agenda toda organizadinha para estar aqui às 13h. Aí, para acabar de complicar ainda mais o jogo, me aparece o Eduardo Paes, com o Pedro Paulo, com o Romário e com o [Ricardo] Ferraço [senador do PMDB]”.

Amaral se mostrou surpreso pela presença dos três juntos, já que Romário era um dos cotados para ser candidato à Prefeitura do Rio e Pedro Paulo, secretário-executivo de Paes, é o escolhido do atual prefeito para a disputa.

“Ué, [os três] fizeram acordo, né?”, questiona o advogado Edson Ribeiro. “Diz o Eduardo que sim”, responde Amaral. “Foi Suíça, foi Suíça”, afirma Ribeiro, completando: “Tinha a conta realmente do Romário”.
O advogado refere-se a reportagem da revista “Veja” de 27 de junho, que mostrou o extrato de uma conta-corrente no banco suíço BSI atribuída ao ex-jogador, com saldo equivalente a R$ 7,5 milhões.

A veracidade do extrato foi questionada pelo senador e, após o banco negar que a conta fosse de Romário, a revista se retratou.

Na continuação da conversa, em um trecho cuja audição não é clara, Ribeiro diz a Delcídio que “seu amigo do banco, que foi comprado” -o BTG Pactual, de André Esteves e que tem como diretor e sócio Guilherme da Costa Paes, irmão do prefeito do Rio, comprou o BSI em 2014- teria dito a Romário “tira [o dinheiro da conta], porque senão tu vai preso”.

Em seguida, Amaral diz ter ficado surpreso com a aliança: “Eu achei estranho. Eles chegaram e [eu perguntei:] ‘Romário o que você tá fazendo aqui?’. Ele disse: ‘Tô acompanhando o Eduardo'”. Segundo o senador petista, Paes, a quem chama de “companheirão”, teria lhe dito então acertara uma aliança com Romário para que ele apoiasse a candidatura de Pedro Paulo.

OUTRO LADO

Em seu perfil no Facebook, o senador Romário negou ter conta na Suíça e ter negociado com Paes um acordo financeiro para apoiar Pedro Paulo.

Ele confirmou que teve um encontro com Delcídio do Amaral, Paes e Pedro Paulo no dia 4 de novembro, para pedir que o líder do governo, à época também presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, agilizasse a tramitação de projeto que propôs o fim de barreiras à cessão de dívida ativa de Estados e municípios.

“O advogado levanta suspeita sobre um assunto que já foi esclarecido por mim e pelas autoridades brasileiras e suíças. Aqueles que novamente fazem acusações inverídicas claro que responderão à Justiça. Qual a credibilidade do advogado de um bandido, corrupto e responsável por roubar uma das principais empresas do país?”, afirma o senador.

“Não é novidade para ninguém que o prefeito Eduardo Paes tem interesse que eu apoie o seu candidato à sucessão. Não sou responsável pelo que terceiros falam, apenas pelos meus atos. Assim sendo, deixo claro que não tenho nenhum acordo com ninguém e, infelizmente, o dinheiro não é meu. Digo infelizmente porque, com certeza, se fosse meu, seria fruto de muito trabalho honesto”, diz.

Procurado, o prefeito do Rio também confirmou o encontro em Brasília, com os mesmos motivos citados por Romário.

Em nota, disse que “nunca negou que gostaria de ter o apoio político de Romário” ao seu candidato à prefeitura. Sobre a suposta conta suíça, Paes disse que “o próprio órgão de imprensa desmentiu a informação e admitiu o erro”. Ele afirmou ainda não ter nenhuma relação com as atividades profissionais de seu irmão e “muito menos acesso a qualquer informação sobre contas de qualquer banco”.

Por Folhapress

Comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Subir