Cultura

‘Adriana Lecouvreur ‘ encerra Festival Amazonas de Ópera

O maestro Luiz Fernando Malheiro vai reger o espetáculo - foto: Ione Moreno

O maestro Luiz Fernando Malheiro vai reger o espetáculo – foto: Ione Moreno

Adriana ama Maurizio, que também é amado pela Princesa de Bouillon. No entanto, Maurizio descobre que ama mesmo Adriana. Pode parecer um enredo de história para adolescentes, mas é o tema principal da ópera “Adriana Lecouvreur”, que será apresentada pela primeira vez em Manaus, na programação do 19º Festival Amazonas de Ópera.

Composta pelo italiano Francesco Cilèa e com libreto de Arturo Colautti, a obra retrata a vida de uma das mais famosas atrizes da Comédia Francesa: Adrienne Lecouvreur, que viveu entre 1692 e 1730. Apaixonada por Maurizio, Conde da Saxônia, Adriana é invejada pela Princesa de Bouillon, que se vinga de Maurizio e Adriana, matando-a com um buquê de violetas envenenadas enviadas por ela.

Dividida em quatro atos, a ópera estreou em Milão, na Itália, em 6 de novembro de 1902. Encenada no Brasil pela última vez em 1964, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a montagem do 19º Festival Amazonas de Ópera é realizada em parceria com o Theatro São Pedro, de São Paulo, e será executada pela Amazonas Filarmônica e Coral do Amazonas, com solos de Daniella Carvalho, Denise de Freitas, Juremir Vieira, Johnny França, Gustavo Lassen, Daniel Umbelino, Carol Martins, Thalita Azevedo, Fabiano Cardoso, Rafael Lima e Joubert Coelho. A regência e direção musical são de Luiz Fernando Malheiro.

Daniella Carvalho, Denise de Freitas e Juremir Vieira interpretam Adriana, a Princesa e Maurizio, respectivamente, na ópera que conta com a direção cênica de André Heller-Lopes e remontagem de Edison Vigil, cenários de Renato Theobaldo, figurinos de Fábio Namatame e iluminação de Fábio Retti.

Regente titular da Amazonas Filarmônica e diretor artístico do 19º Festival Amazonas de Ópera, Luiz Fernando Malheiro destaca que a parceria entre as duas instituições é singular, já que o trabalho entre as casas de espetáculos de Estados diferentes é extremamente difícil de se realizar. “Sempre existem vários fatores que dificultam a parceria entre as instituições culturais de diferentes lugares. No Brasil, a parceria entre Manaus e São Paulo será a primeira do tipo. É uma porta importantíssima que se abre para futuras parcerias e colaborações culturais”, comenta.

“Verismo”

Entre o final do século 19 e o início do 20, a Europa fervilhava com novos estilos de fazer música. “Durante esse período, havia na Itália um grupo chamado Os Descabelados, que admirava a ópera alemã, principalmente Richard Wagner. Carlos Gomes fazia parte desse grupo, influenciando principalmente a ópera italiana no século 20”, explica Malheiro.

“Cilèa foi muito influenciado por Carlos Gomes nesse período, que é comumente chamado de ‘verismo’, onde a vida real é mais importante que as obras míticas. É o caso de ‘Cavalleria Rusticana’, de Pietro Mascagni, uma das obras que já apresentamos no festival de ópera. É nesse período que surge ‘Adriana Lecouvreur’, trazendo a história real da atriz francesa e marcando a história da música italiana”, observa o maestro.

Para Malheiro, a escolha da soprano Daniella Carvalho para o solo principal da ópera se deve principalmente ao espírito da personagem principal, Adriana. “Daniella tem uma personalidade forte, com uma carga dramática e cênica enorme. Por causa disso, nos lembramos imediatamente dela para fazer a personagem”, afirma.

Importância

Luiz Fernando Malheiro ressalta que a missão do Festival Amazonas de Ópera sempre foi explorar um repertório que, na maioria das vezes, é ignorado pelas casas de ópera do país. “Se você observar, sempre são as mesmas obras, com um repertório bastante limitado. No nosso festival, nos permitimos executar obras conhecidíssimas no mundo, mas desconhecidas aqui, como ‘Fosca’, ‘Condor’ e ‘O Guarani’, de Carlos Gomes, e ‘Poranduba’, de Edmundo Villani-Côrtes, além da primeira montagem de ‘O Anel do Nibelungo’, de Richard Wagner”.

“No festival, tivemos também óperas encomendadas, como ‘Onheama’, de João Guilherme Ripper, baseada na obra de Max Carphentier, que inclusive foi encenada em Portugal neste ano. ‘Adriana Lecouvreur’ e ‘Médée’, que foi apresentada no começo da edição deste ano, juntam-se ao repertório histórico do Festival Amazonas de Ópera, reafirmando a nossa missão e o nosso objetivo cultural”, finaliza o diretor artístico do evento, realizado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura.

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