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Adolescente morre após parto na Moura Tapajóz; familiares acusam negligência no atendimento

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A adolescente foi velada em uma igreja, no Santo Antônio, por amigos e familiares – foto: Rosianne Couto

A estudante Bianca Corrêa dos Santos, 15, faleceu no final da noite desta segunda-feira (19), na Maternidade Estadual Balbina Mestrinho, Zona Centro-Sul de Manaus, após ser transferida da Maternidade Moura Tapajóz, Zona Oeste, onde deu à luz um menino de quatro quilos. O bebê não corre risco de vida, segundo familiares.

Bianca estava na capital amazonense há cinco meses para realizar o acompanhamento necessário à gravidez. De acordo com Isa Braga, prima da estudante, apenas na reta final de gestação a menina foi informada de que a gravidez era de risco.

“Quando ela completou quatro meses, veio de Barcelos [distante 399 quilômetros de Manaus] para fazer todos os tratamentos, mas só perto de ter o bebê falaram a ela que corria risco de vida”, disse Isa.

Ainda de acordo com a prima de Bianca, a adolescente foi cinco vezes à Maternidade Doutor Moura Tapajoz, na Zona Oeste e, em todas, foi mandada de volta para casa com a justificativa de que “ainda não tinha a dilatação necessária para dar à luz”.

“Ela chegou, da última vez, sangrando e chorando. Os médicos disseram que não podiam fazer nada porque só estava com um centímetro dilatado”, contou a prima, acrescentando ainda que, após o parto, Bianca passou por um outro procedimento cirúrgico para a retirada do útero.

De acordo com a certidão de óbito, a adolescente, além da gravidez precoce, morreu em decorrência da falência múltipla de órgãos, choque hemorrágico, atonia uterina (quando o útero é incapaz de realizar contrações) e síndrome de hellp – complicação da pré-eclâmpsia – que coloca em perigo a vida da mãe e do bebê durante a gestação, provocando insuficiência renal, problemas no fígado ou edema agudo do pulmão.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde (Susam) informou que Beatriz deu entrada na Balbina Mestrinho por volta das 17h do domingo (18), transferida da Maternidade Municipal Moura Tapajoz, em estado gravíssimo, após realizar parto cesariano.
A secretaria diz ainda na nota que a paciente foi internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Balbina Mestrinho, onde recebeu todos os atendimentos necessários, mas que “infelizmente foi a óbito”. Segundo a Susam, o bebê continua na Moura Tapajoz.

Também por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que Bianca foi internada na Maternidade Moura Tapajóz após apresentar oscilação de pressão sanguínea e pele amarelada e que, no mesmo dia, passou por um parto cesáreo e histerectomia, necessários pelo quadro de saúde. A Semsa confirma a transferência da paciente para a UTI da Balbina Mestrinho.

Ainda na nota, a secretaria confirma que a paciente buscou atendimento na unidade hospitalar outras vezes, mas que, “nas consultas, apresentava queixas de dores de cabeça e sintomas urinários, inclusive sendo submetida a uma ultrassonografia na última consulta e que, em todas as oportunidades foi avaliada e não estava em trabalho de parto, sendo orientada das condutas para alívio das queixas”.

A Semsa esclarece que o caso já passou por revisão da equipe médica da Maternidade Moura Tapajóz. A secretaria também informou que o recém-nascido está sendo acompanhado pela equipe médica intensiva da maternidade municipal.

Por Rosianne Couto

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