Dia a dia

Acusados da morte da líder comunitária Dora Priante vão a júri

Principal acusado do crime, “Pinguelão” foi preso ao prestar depoimento no fórum do bairro Aparecida, alguns dias após a morte da líder comunitária – foto: arquivo do Agora

Principal acusado do crime, ‘Pinguelão’ foi preso ao prestar depoimento no fórum do bairro Aparecida, alguns dias após a morte da líder comunitária – foto: arquivo do Agora

O juiz titular da 1ª Vara de Manacapuru (a 89 quilômetros de Manaus) Aldrin Rodrigues encaminhou, na manhã desta quinta-feira (16), ao Ministério Público do Estado (MPE-AM), o processo que pede o júri popular dos acusados de matar a líder comunitária Maria das Dores Santos Salvador Priante, 52, em agosto do ano passado, para análise da comissão de sentença.

No documento, também consta a decisão do magistrado em manter os acusados pelo crime de homicídio qualificado Ronaldo de Paula da Silva e Adson Dias da Silva, o “Pinguelão”, presos até a data do julgamento. Os réus podem recorrer da decisão.

“Mantenho as prisões, tendo em vista a gravidade do delito em que os réus estão sendo acusados, bem como a necessidade de resguardar a ordem pública”, enfatizou o juiz Aldrin Rodrigues, em seu despacho.

O viúvo da líder comunitária, professor Gerson Priante, se disse surpreso com o encaminhamento do pedido de Júri Popular da dupla de acusados ao Ministério Público, feito, ainda este ano, e destacou que acredita que, desta vez, a Justiça será feita. Há seis meses vivendo longe da comunidade “Portelinha”, onde o crime ocorreu, Gerson ressaltou que, mesmo com a prisão da dupla, que aterrorizava o local há mais de 15 anos, o clima continua tenso na comunidade.

“Até então, não esperava nenhuma novidade no processo. Tudo andava em passos lentos. Em abril, contratamos um advogado particular e, a partir daí, começamos a ter informações do caso. As coisas estão mudando. Eu esperava que esse pedido fosse feito somente no ano que vem. Vamos aguardar o resultado e temos esperança que a Justiça, agora sim, será feita. A nossa expectativa é que os dois sejam condenados, não que isso irá aliviar a dor da perda, porque não será um ponto final, mas estaremos cientes que eles estão pagando pelo crime. Com certeza, esse andamento do processo não estava nos planos deles, que contavam com a possibilidade de liberdade. A Justiça se mostrou maior que eles. Hoje, não vivo mais na comunidade, tenho medo de emboscadas, mas mantenho contato com os amigos e sei que mesmo eles presos, o povo ainda vive apreensivo”, destacou.

Suspeito e vítima teriam rixa

A líder comunitária Dora Priante – como era conhecida na comunidade Portelinha –  foi encontrada morta no ramal do Gasoduto, no quilômetro 52, no município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus), no dia 13 de agosto do ano passado. Dora foi sequestrada na noite anterior à sua morte, por cinco homens armados, que invadiram sua residência e a levaram à força, após agredir seu esposo.

Durante as investigações, à época, a polícia identificou “Pinguelão”, com quem a vítima tinha uma briga pessoal referente a lotes de terra, como o principal suspeito pelo crime. Conforme relatos de moradores da comunidade Portelinha, prestados à polícia na ocasião, dois anos antes do crime Dora e “Pinguelão” brigavam pela liderança da comunidade. Ambos se apresentavam como presidentes do lugar, por esse motivo, as brigas e ameaças eram constantes.

Adson Dias foi preso quatro dias após o crime, no Centro de Manaus, após sair de uma audiência no fórum Desembargador Mário Verçosa, no bairro Aparecida, Zona Sul. No mesmo dia, o caseiro Ronaldo de Paula, também foi preso.

Por Gerson Freitas

1 Comment

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  1. Nayleide

    17 de junho de 2016 at 12:27

    A informação está equivocada. Não havia briga por disputa de lote terra e sim pelo fato de Adson (Pinguelão) não aceitar a eleição da Dora para presidente da Portelinha e combatia o tráfico de drogas na comunidade.

    no dia e horário do sequestro, o esposo da vítima não estava em casa.

    o Corpo foi encontrado em um ramal do município de Manacapuru

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