Dia a dia

Ações de sustentabilidade são desafio para próxima administração municipal

Os próximos planejamentos da cidade devem levar em conta os ambientes e precisam ser elaborados por pessoas que entendam do assunto - foto: Ione Moreno

Os próximos planejamentos da cidade devem levar em conta os ambientes e precisam ser elaborados por pessoas que entendam do assunto – foto: Ione Moreno

Mais do que uma necessidade, ações sustentáveis também são uma grande vantagem. Um estudo publicado no próprio site da Prefeitura de Manaus aponta que no primeiro trimestre de 2013, apenas 0,17% do material reciclável da cidade foi reaproveitado. Para uma cidade com população de 1,7 milhão de pessoas existem apenas oito pontos de entrega voluntária de lixo reciclável. No entanto, apesar do baixo valor, foi arrecadado cerca de R$ 84.512, o que gerou renda de R$ 515,67 para cada catador dos seis grupos que atualmente operam na cidade. Ou seja, quanto maior a reciclagem, menor a degradação do ambiente e maior a renda dessas pessoas.

Segundo os especialistas, é preciso pensar e agir preventivamente, considerando as tendências de expansão da malha urbana, pondo em prática um plano diretor que contenha estratégias, referências e parâmetros que assegurem a qualidade ambiental. “Isso implica, por exemplo, na garantia da universalização dos serviços de saneamento ambiental evitando o lançamento dos esgotos sem tratamento nos cursos d’água, a gestão integrada dos resíduos sólidos que inclua desde a coleta seletiva até a destinação e disposição final adequadas desses resíduos. Além disso, é preciso dar atenção às áreas protegidas nas cidades, como os parques e unidades de conservação. São estas áreas que irão garantir os serviços ecossistêmicos que as cidades tanto precisam para serem ambientalmente sustentáveis”, ensina Henrique dos Santos Pereira, professor de agronomia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com doutorado em ecologia pela Universidade do Estado da Pennsylvania (EUA).

Desafio

Para algumas áreas da cidade, implementar ações sustentáveis será um desafio ainda maior para a próxima administração municipal. “Um planejamento urbanístico que levasse em conta a qualidade ambiental dos espaços poderiam ter permitido que cidades como Manaus se desenvolvessem com menores impactos ambientais. Isso não pode acontecer mais para os bairros centrais e as regiões já consolidadas, pois a recuperação ambiental dessas áreas resultaria em elevados custos financeiros e sociais” lamenta.

Ou seja, para que o processo funcione, é preciso literalmente “comprar a ideia”. “É preciso entender realmente o que é desenvolvimento sustentado e sustentabilidade. E digo que o prefeito e toda a sua equipe precisa conhecer, apenas o secretário não adianta”, ensina o professor doutor Rogério Aparecido Machado, especialista em gestão ambiental e saúde pública da Universidade Mackenzie, de São Paulo.

Para Rogério, mais que implantar, é preciso dar continuidade. “É preciso continuar as práticas de administrações anteriores, além de iniciar trabalhos de sustentabilidade que sejam coerentes e não eleitoreiros, ou seja, após a gestão de tal partido o trabalho continua, pois quem irá manter o trabalho sustentável deverá ser a população”, pondera.

Lição

Machado dá mais um conselho para os candidatos, tanto da prefeitura quanto da Câmara Municipal. “Não cometam o erro de atrelar a imagem da sustentabilidade a algo idealizado, ou seja, seria muito bom se fosse assim, mas a realidade é diferente. A imagem da sustentabilidade deve ser a completa possibilidade de efetivação do trabalho, onde a população perceba com palavras simples que é possível melhorar apenas mudando atitudes ou costumes”, ensina o especialista.

Por Fred Santana

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