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Acidentes de trânsito matam mais que crimes em Manaus

Falta de conscientização por parte de motoristas e pedestres contribui para alto índice de ocorrências na cidade - foto: Arthur Castro

Falta de conscientização por parte de motoristas e pedestres contribui para alto índice de ocorrências na cidade – foto: Arthur Castro

Para o espanto de alguns, a principal causa de mortes de jovens no Brasil não é o crime, mas, sim, o trânsito. Em Manaus, uma média de 20 acidentes graves são registrados na cidade, em sua maioria, envolvendo pessoas que consumiram bebidas alcoólicas e dirigiam em alta velocidade. Conforme dados da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), nos últimos 3 anos, os casos de acidentes de trânsito na capital subiram em torno de 41%

. Foram mais de 21 mil vítimas feridas e outras mil perderam suas vidas. Campanhas de conscientização estão sempre em vigor, porém, poucas melhoras aconteceram.

O delegado titular da Delegacia Especializada em Acidentes de Trânsito (Deat), Luis Humberto Monteiro, compara os crimes no trânsito a uma epidemia, mas com número de vítimas fatais muito superiores a doenças como dengue ou malária. Segundo ele, não basta somente mudanças na legislação, é necessário investir em educação, tanto de condutores quanto de pedestres para minimizar a quantidade de mortes.

“Nós podemos melhorar, porque o trânsito somos nós. Se cada um fizer a sua parte, vamos melhorar. Agora, é muito difícil, porque é um problema cultural e a gente precisa estar o tempo todo em cima: ‘Olha, cuidado. Se você for dirigir, não beba. Vai beber, não dirija’. Nós temos que colocar isso, o tempo todo bater na mesma tecla, para ver se os jovens criam consciência”,opina Monteiro.

De acordo com o titular da Deat, é preciso consciência por parte nos condutores. Desde o ano passado, a lei 12.971/14 alterou 11 artigos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), para dispor sobre sanções administrativas e crimes de trânsito. Se antes as penas para condutores envolvidos em acidentes com vítimas fatais eram apenas de detenção de 2 a 4 anos e afiançável, agora o motorista que matar alguém sob efeito de substâncias psicoativas poderá ficar preso por até 4 anos, sem direito ao pagamento de fiança.

“Houve algumas mudanças que melhoraram o sistema dos problemas de acidente de trânsito. Tem uma nova legislação para pessoas que vão dirigir e acabam cometendo um acidente com vítimas fatais. Agora, essas pessoas podem realmente ser presas. É o que chamamos de homicídio qualificado. A qualificadora é justamente o álcool ou qualquer outra substância psicoativa que determine dependência”, explica Monteiro, que está há mais de 10 anos àfrente da Deat.

Conforme o delegado, as mudanças na legislação são eficazes no combate aos acidentes de trânsito, mas para as estatísticas caírem é necessário uma participação maior por parte da população. Para Monteiro, união, educação e respeito são alguns dos fatores que podem mudar a triste rotina do trânsito, que todos os dias faz vítimas fatais nas ruas de Manaus.

“A causa principal de mortes no trânsito é a velocidade e a embriaguez. Agora, nós estamos preocupados com o número de pessoas que andam de motocicleta, elas têm sido vítimas com mais frequência. As altas velocidades e a falta de respeito levam a isso. Às vezes eles (motoqueiros) têm razão também. O respeito é fundamental para isso. Tem havido alguns acidentes também com bicicleta, o que também chama a atenção”, diz Monteiro.

Pouco efeito

O titular da Deat não culpa somente condutores pelos crimes de trânsito. Segundo ele, os pedestres são parte fundamental do processo de educação nas ruas. Apesar de todo o esforço feito pelos órgãos envolvidos com o trânsito em Manaus, com campanhas de conscientização realizadas quase que mensalmente, o efeito delas não tem sido o esperado. Para Monteiro, as leis precisam evoluir no sentido de serem mais rigorosas com os que desrespeitam o CBT.

“Quem sabe amanhã nossa legislação seja mais forte e possa ter um peso maior, uma punição que funcione para que a pessoa respeite ainda mais as leis. Hoje, quando tem blitz de Lei Seca na avenida do Turismo, os jovens se comunicam por rede social para desviar da fiscalização. Que mundo é esse? Todo mundo quer dar um jeito, é o chamado jeitinho brasileiro”, pontua Monteiro.

Por André Tobias e Thiago Fernando

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