Dia a dia

Ação alerta para detecção e tratamento imediatos da sepse, conhecida como ‘infecção generalizada’

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No panfleto, a história em quadrinhos contava o caso de um paciente diagnosticado com sepse – foto: Ione Moreno

Uma história em quadrinhos foi entregue a quem passava pelo desembarque doméstico do Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, localizado na Zona Oeste de Manaus, com o intuito de divulgar e alertar as pessoas sobre os sinais e sintomas, além do tratamento da sepse – uma infecção que ataca os órgãos, fazendo-os deixar de funcionar plenamente. A ação foi desenvolvida por uma equipe do Hospital Pronto-Socorro Delphina Rinaldi Abdel Aziz, que é associado ao Instituto Latino Americano de Sepse (Iles), na manhã desta terça-feira (13).

A data escolhida é alusiva ao dia mundial de combate à doença que, segundo dados do Instituto, contabiliza mais de 400 mil casos em todo o Brasil, causando a morte de cerca de 220 mil pessoas todos os anos.

“A sepse hoje, no mundo, mata mais que câncer e infarto. Então, toda vez que temos um paciente diagnosticado com sepse, ele é atendido de maneira diferenciada. A coleta de exames e o início do tratamento devem ocorrer em menos de uma hora, porque a cada hora que passa no retardo do início do antibiótico, aumenta em 7% a mortalidade destes pacientes. Precisamos alertar para a importância do reconhecimento rápido dos sintomas para procurar atendimento médico”, ressaltou a infectologista do HPS, Mayla Borba.

A sepse é comumente conhecida como ‘infecção generalizada’ e, se não iniciado o tratamento em tempo hábil, o paciente pode entrar em choque séptico, sendo necessário o uso de drogas específicas para normalização. Por conta desta disfunção orgânica, um paciente nestas condições tem maiores chances de morrer.

“A sepse é uma infecção que, quando o paciente não consegue combater sozinho, vai para outros órgãos, diminuindo suas respectivas funções. Então, ela começa a diminuir a função do rim, do fígado, do cérebro, dos pulmões e, por isso, é tão grave”, disse Mayla.

Sinais e sintomas

Mayla afirma que o reconhecimento precoce é primordial para o tratamento adequado da doença e que, por isso, é necessário ficar atento aos sinais e sintomas que o paciente apresenta quando dá entrada em uma unidade hospitalar.

“Todo paciente que chega com uma temperatura axilar maior que 38,3°C, frequência respiratória maior que 20 e cardíaca maior que 90, uma pressão sistólica abaixo de 90, sonolência ou confusão mental, é dado como possivelmente portador de sepse pela enfermeira”, caracteriza a infectologista.

A partir do pré-diagnóstico, o paciente é reavaliado por um médico e, então, triado como ‘roxo’ (cor da pulseira colocada no enfermo para designar as prescrições pertinentes ao caso de sepse) e é aberto o protocolo específico. Quando aberto este registro, o paciente, em uma hora, recebe a primeira dose do antibiótico, realiza a coleta de exames laboratoriais e recebe hidratação venosa.

No Delphina Aziz já há o protocolo para o tratamento diferenciado dos pacientes com sepse há seis meses. Neste período, 50 pacientes já foram atendidos e, segundo a infectologista do hospital, a maioria apresentou boa evolução no quadro e sem necessidade de transferência para outras unidades de saúde.

“Nossa taxa de letalidade é muito baixa quando comparada a dados brasileiros. Nós tivemos uma taxa de 14% mas, quando comparamos com números nacionais que chegam a ser mais que 50%, a gente vê que está no rumo certo, mas ciente de que muitas coisas devem ser feitas”, declarou Mayla.

A ação terá continuidade pela parte da tarde de hoje no HPS. Segundo a infectologista, a equipe multidisciplinar do hospital precisa de treinamentos constantes.
“Precisamos buscar e aumentar a sensibilidade na detecção destes pacientes”, finalizou a médica.

O instituto

O Instituto Latino Americano de Sepse (Iles) tem como missão auxiliar no processo de aperfeiçoamento da qualidade assistencial do paciente portador de sepse grave através da implementação de protocolos baseados em evidências científicas, da geração e difusão de conhecimentos e do desenvolvimento de estudos clínicos.

No Brasil, 14 capitais são associadas aos institutos, inclusive Manaus, por meio do HPS, Delphina Aziz. Lá, os protocolos específicos para pacientes com sepse são gerados desde março deste ano.

Por Rosianne Couto

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