Esportes

Abertura da natação teve recordes, choro, calor e brasileiros nas semifinais

Sem ventilação, o Estádio Aquático do Parque Olímpico da Barra da Tijuca pegou fogo no início da tarde deste sábado (6), durante as eliminatórias da natação dos Jogos do Rio.

Nas arquibancadas, o público penou com um calor superior a 33ºC. Na piscina, recordes foram batidos eo Brasil garantiu quatro atletas em semifinais, que ocorrerão a partir das 22h.

Daynara de Paula e Daiene Dias, nos 100 m borboleta, e João Gomes Júnior e Felipe França, nos 100 m peito, avançaram após suas séries.

França e Gomes foram os que mais empolgaram o público com, respectivamente, o terceiro (59s01, novo recorde sul-americano) e o oitavo (59s46) tempos em sua prova. Eles haviam entrado na competição entre os cinco melhores da temporada.

“Achei essas eliminatórias interessantes, por ser minha primeira queda na água. Todo mundo gritando, foi ímpar. Não tem explicação”, afirmou Gomes, que disse ainda ter “coisas a acertar” para a noite.

Ambos nadaram na mesma série, ao lado do atual campeão olímpico, o sul-africano Cameron van der Burgh. Ao saírem da água, os brasileiros foram saudados com gritos de “Brasil, Brasil” das arquibancadas.

Apesar do bom desempenho, eles viram, em seguida, o britânico Adam Peaty melhorar em quase meio segundo seu recorde mundial nos 100 m peito –foi a única marca mundial quebrada pela manhã. Ele baixou seu tempo de 57s92, de 2015, para 57s55.

“O Peaty deu o recado dele, mas ainda tem semifinal hoje [neste sábado] e final amanhã [domingo]. Ele não é campeão olímpico ainda”, concluiu Gomes. Além do tempo do britânico, foi batido recorde no revezamento 4 x 100 m feminino (equipe da Austrália).

A outra prova em que o Brasil teve aproveitamento total foi os 100 m borboleta feminino. Embora não estejam na briga por medalhas, Daynara e Daiene ficaram em 14º e 15º e passaram para as semifinais.

“É o melhor tempo da minha vida sem trajes tecnológicos [de poliuretano, que foram banidos a partir de 2010]. Fiquei muito empolgada com o barulho da torcida”, disse Daynara, que disputa sua terceira Olimpíada.
Estreante nos Jogos, Daiene afirmou ter sentido um pouco o forte calor dentro da instalação, mas que não se importou. “Eu até gosto de nadar em lugar quente. O público ajudou muito. A primeira missão foi cumprida.”

Brandonn Almeida e Joanna Maranhão (400 m medley), Luiz Altamir (400 m livre) e o revezamento 4 x 100 m livre feminino não avançaram às finais das provas, que serão realizadas ainda na noite deste domingo.

COMOÇÃO

Recordes à parte, a imagem mais marcante da primeira sessão de eliminatórias envolveu choro e aplauso.

Na quarta das sete eliminatórias dos 400 m livre masculino, o espanhol Miguel Duran Navia, 21, queimou a largada e, por consequência, teria de ser eliminado. O europeu deixou a piscina chorando, recolheu seu material e se dirigiu à saída em meio a aplausos e gritos de incentivo do público.

Aí veio a surpresa. A comissão de arbitragem considerou que ele foi prejudicado por um erro dos árbitros de partida e permitiu sua volta ao bloco.

Apesar do perdão, não houve jeito. Navia terminou a eliminatória na última posição da série. “Pensei em tudo o que trabalhei para chegar aqui e não poder nadar. Foi muito difícil. Ainda bem que me deixaram nadar, mas a concentração já tinha ido embora”, disse. “O público se comportou muito bem, lhe agradeço muito.”

Por Folhapress

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