Dia a dia

Abandono do tratamento da tuberculose preocupa especialistas

Doença atinge todas as faixas etárias no Amazonas, mas a maior concentração ocorre entre pessoas de 15 e 44 anos – foto: divulgação

Doença atinge todas as faixas etárias no Amazonas, mas a maior concentração ocorre entre pessoas de 15 e 44 anos – foto: divulgação

No topo da lista dos Estados brasileiros com maior número de casos de tuberculose – este ano foram confirmados 632 casos, até o fim de março -, o Amazonas também tem um alto índice de abandono do tratamento para a doença: 13,3%, conforme o Boletim Epidemiológico do Ministério Saúde (MS), com análise de dados concluída em 2014, o que o coloca em quarto lugar nas taxas de abandono do país.

Em Manaus, que concentra atualmente 73,5% dos casos, a taxa de abandono verificada no mesmo boletim epidemiológico foi ainda maior: 17%, sendo que a meta universal é que o abandono de tratamento seja menor que 5%, para se alcançar o controle da doença e evitar resistência aos medicamentos.

Em números estimados, considerando-se os 3.243 casos registrados no Amazonas em 2015 pelo Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) do MS e o fato de que, destes, 2.932 ocorreram em Manaus, ao menos 498 pessoas podem ter abandonado o tratamento na capital, o que é um número bastante significativo.

A coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, Marlúcia Garrido, comenta que o tempo de tratamento – no mínimo de seis meses – e as reações desagradáveis como náuseas e vômitos, provocadas pelos remédios, podem estar estre os fatores que levam ao abandono ou mesmo à falta de adesão ao tratamento.

“A tomada da medicação deve ser supervisionada pelos profissionais da saúde, o que raramente é feito. Além disso, a melhora do quadro clínico nos primeiros meses, os hábitos do fumo, uso de álcool e drogas ilícitas e a associação com outras doenças são fatores que contribuem para a falta de adesão ao tratamento”, comenta.

Ainda segundo Marlúcia Garrido, a tuberculose atinge todas as faixas etárias no Amazonas, mas a maior concentração de casos ocorre entre pessoas de 15 e 44 anos, sendo também nessa faixa etária que se verifica a maior parte dos abandonos de tratamento (73,7%).

Como os medicamentos são fornecidos pelo Ministério da Saúde, sem ônus adicional para o governo estadual, não há prejuízo, do ponto de vista financeiro, para os cofres do Amazonas, mas o abandono de tratamento pode estar entre as causas do índice cada vez maior de tuberculose no Estado. Isso porque a doença é transmitida no ar, via oral, por meio do espirro ou tosse de quem está contaminado com a chamada bactéria Mycobacterium tuberculosis, também conhecida como Bacilo de Koch.

“Para o paciente, o abandono aumenta o risco de falha e surgimento de resistência ao tratamento, particularmente por mais de 30 dias sem a medicação. Falha e resistência elevam, substancialmente, o tempo de tratamento (de 6 para 24 meses) e, ainda, o risco de morte pela tuberculose. Para a sociedade, o indivíduo que abandona o tratamento tem maior risco de transmitir a doença para seus contatos, além do custo social e econômico que isso acarreta”, analisa o infectologista e consultor médico do Laboratório Sabin em Manaus, Marcelo Cordeiro dos Santos.

Diminuição

Embora se observe uma diminuição na taxa de incidência da doença nos últimos 10 anos, anualmente, o Brasil notifica 70 mil casos da doença. No Amazonas, com exceção de Guajará, todos os municípios tiveram registro de casos da tuberculose em 2015, sendo as dez maiores taxas de incidência registradas em Manaus, Autazes, São Gabriel da Cachoeira, Tabatinga, Tefé, Iranduba, Manacapuru, Envira, Atalaia do Norte e Presidente Figueiredo.

Sobre a doença

O principal sintoma da tuberculose é a tosse por mais de três semanas, com ou sem catarro. Qualquer pessoa com esse sintoma deve procurar uma unidade de saúde para fazer o diagnóstico. São mais vulneráveis à doença as populações indígenas, presidiários, moradores de rua, além das pessoas vivendo com o HIV.

 

Da redação

 

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