Economia

A voz que perde mercado para o consumo de dado

Estimativas de mercado mobile apontam que até 2020, mais de 50 bilhões de dispositivos estarão conectados numa média de seis por pessoa- foto: divulgação

Estimativas de mercado mobile apontam que até 2020, mais de 50 bilhões de dispositivos estarão conectados numa média de seis por pessoa- foto: divulgação

Nos últimos anos, se tornou comum a afirmação de que o smartphone é um parelho que “até liga”. A afirmação no mundo da telefonia móvel é explicada pelo crescimento da tendência mobile a partir de um maior consumo de dados em relação ao de voz, num tempo em que a cada dia são lançadas algumas centenas de aplicativos (apps), que nascem com objetivo facilitar a resolução de uma gama de necessidades dos usuários.

A mudança nos índices de consumo obriga as empresas do ramo a modificarem os seus conceitos na busca por novas receitas para conquistar clientes, bem como novas estratégias pela eficiência na venda de dados. A pauta foi discutida durante a 2ª edição do Workshop TIM com a Imprensa, do Norte Nordeste, em Salvador, no mês de maio.

Segundo o presidente da TIM, Rodrigo Abreu, a companhia registrou no primeiro trimestre do ano um crescimento de 46% nos serviços de dados, em relação ao mesmo período de 2014, influenciado pelo crescimento de 6% de clientes pós-pagos e 23% do plano controle. “O futuro do mercado está no serviço de dados. Hoje, quase metade da nossa base de clientes utiliza a internet móvel e nossa receita de dados já responde por um terço da receita total”, afirma.

O executivo de Serviços de Valor Adicionado (SVA) da TIM Brasil, Fábio Traldi, diz que as mudanças de conceito das empresas são necessárias por conta da penetração de smartphones no país. Esse tipo de aparelho, segundo ele, é quase 55% da base de clientes da operadora, que no país são 75 milhões. No Amazonas, são 849 mil clientes, sendo a terceira maior base da região Norte, e ocupa o 2º lugar com 20% da fatia do mercado.

Dentro da tendência de queda do consumo de voz, a Telefônica Vivo afirma que no primeiro trimestre de 2015 a companhia registrou o melhor desempenho da receita liquida móvel dos últimos três anos, com crescimento de 8,4%, impulsionada por dados e SVA.

A receita de voz móvel, segundo a empresa, cresceu 1,3% entre nos primeiros três meses deste ano em relação a igual período do ano passado, refletindo incremento de linhas no parque pós-pago e aumento das receitas pré-pagas. Enquanto isso, as receitas de Dados e SVA foram 31,3% maiores em relação ao primeiro trimestre de 2014.

O desempenho da receita de dados e SVA decorre, segundo a Vivo, das vendas de pacotes e planos de dados e da maior penetração de smartphones na sua base de clientes (no segmento de clientes individuais pós-pagos puros, 84% possuem smartphones ou webphones). No trimestre, a receita de Dados e SVA aumentou sua representatividade sobre a receita líquida do serviço móvel para 41,9%, uma evolução anual de 7,2 pontos percentuais.

O diretor de Produtos de Mobilidade da Oi, Roberto Guenzburger, aponta a internet móvel como fator-chave para o sucesso da estratégia de mobilidade. Segundo ele, a receita do segmento sustenta o crescimento em praticamente todo o setor de telecomunicações atualmente.

Enquanto para a Oi as receitas de voz local, longa distância e SMS se mantêm estáveis ou em queda, Guenzburger afirma que o consumo de dados e SVAs só crescem. No primeiro trimestre a receita de dados da empresa atingiu 56,1% em relação ao mesmo período de 2014 e representou 38,1% do total da receita de clientes.

Companhias apostam em apps

Estimativas do mercado, segundo Traldi, apontam que até 2020 aproximadamente 50 bilhões de dispositivos estarão conectados, numa média de seis por pessoa. O executivo aponta que a TIM já possui 32 apps com a sua própria marca e a quantidade de usuários impressiona para cada produto mobile. No TIMmusic by Deezer (app de música) são mais de 35 milhões, no TIM Protect (app de seguro para aparelhos e informações) são 5 milhões e no Blah (app de mensagens e conferências) mais de 2 milhões downloads.

Atualmente, a Telefônica Vivo já oferece 83 opções de Serviços de Valor Adicionado, o que, segundo a companhia, é o maior portfólio do mercado, uma vez que mais de 40 milhões de clientes usam pelo menos um dos SVAs. Entre as opções contratadas pelos clientes estão: Plataforma de Educação, Vivo Som de Chamada, Vivo Música, Nuvem do Jornaleiro, Vivo Sync, e Vivo Sexualidade.

No primeiro trimestre de 2015, a receita de serviços de valor adicionado da Oi aumentou 104,3% quando comparada ao mesmo período do ano passado. A performance, conforme a empresa, se deve à oferta de serviços com foco em smartphones para o cliente como Oi Apps Club, Oi Segurança, Oi Conselheiros e Oi Para Aprender, além do aumento de canais de venda dos serviços.

Por Emerson Quaresma

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