Editorial

A tecnologia da ilusão

A ordem e o progresso são refratários à umidade. Este é o pesadelo de Manaus, em particular, e do Amazonas em geral, nos últimos anos. Na verdade, desde que a eletricidade pôde ser produzida com uma potência capaz de mudar a face do mundo e trocar a noite pelo dia e vice-versa. Só não dá certo em Manaus, desde que o governo federal começou a aterrissar no pedaço e jurar que nunca, jamais, em tempo algum faltaria energia no Amazonas. Jurou e não cumpriu, fingiu e enganou, mas faturou votos como nunca se viu antes neste país de mercados futuros.

A distribuição da energia elétrica no Amazonas funciona como se ainda estivesse em teste e ninguém acreditasse muito que ela seja útil à humanidade – trocar a noite pelo dia deve ser coisa de feitiçaria. Pergunte-se ao comércio do centro da cidade. O gás também funciona em sistema de exclusividade. Pergunte-se a qualquer motorista de táxi, que ousou adaptar o seu carro. O petróleo “sujou” um município e antecipou os escândalos do setor.

Quanto à internet e à televisão a cabo, os planos mirabolantes que são ofertados também se desmoralizam, basta que uma nuvem ameace desmanchar-se em chuva: desaparecem o Facebook, o Twitter e outras centrais de convivência e conivência. A TV a cabo é outro engodo. Os programadores acreditam que toda a população de Manaus, capaz de pagar por esse (des)serviço, sai de casa aos domingos para ir aos shoppings e põem no ar os piores filmes já produzidos… quando a tal nuvem não passa por cima da cidade, em direção ao Cacau Pirêra.

Sim, tem a telefonia móvel. Pelo que se paga por esses (des)serviços, essas operadoras já deveriam ter descoberto uma tecnologia que funcione em uma região cujo índice de umidade estaciona em torno de 88% e o de credulidade em 100%.

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