Opinião

A Petrobras e o Amazonas

A essa altura do campeonato, tudo é delírio. O petróleo do Amazonas, sonho de grandeza de um Estado que já é gigante pela própria natureza, foi diluído em processos de pedofilia e a geografia onde ele aflorou com mais escândalo, Coari e a província de Urucu, sumiu do mapa: é apenas um endereço que os oficiais de Justiça mal conseguem encontrar, voando ou navegando pelos rios.

 

O delírio, como se gosta de contrastar, não é só nosso. Ontem, a presidente da Petrobras engatou um entusiasmo juvenil, dos anos 1950: “Nós acreditamos na Petrobras, acreditamos na Petrobras, acreditamos mil vezes na Petrobras. Isso é prova que amamos muito o Brasil. Nesse momento quero apenas pedir muita energia de vocês”.

 

Foi assim que ela se dirigiu a funcionários da estatal, na cerimônia de viagem inaugural e batismo de navios petroleiros, no porto de Suape (PE), enquanto a presidente Dilma Rousseff sustentava o mesmo tom, como se a empresa não estivesse envolvida “até o tucupi” de denúncias que comprometem, inclusive, a primeira mulher a presidir o país.

A todo momento, foge-se da realidade concreta. Como no Amazonas, onde mais de dez candidatos ao governo do Estado agem como se estivessem disputando o concurso de Miss Arraial Maria Vai com as Outras, que funciona assim: a família da candidata compra uma tonelada de votos e ganha a eleição, embora as outras candidatas, tadinhas, se esforcem ao máximo.

 

Em concurso de miss, pobre não tem vez. Quanto ao Estado do Amazonas… do que se trata mesmo?, perguntam-se os candidatos, embevecidos com a própria imagem no espelho.

Uma política exercida nesse nível deletério e nesse território de alagados não pode levar a resultados sérios. Se existe dúvida, olhe-se ao lado: dá para ver o estrago?

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