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A falta de emprego aumenta o volume de trabalhadores informais em Manaus

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Desempregados buscam alternativas nas ruas – foto: Ricardo Oliveira

Depois de realocar camelôs em galerias populares entre 2014 e 2015, o município vive agora uma invasão incontrolável de vendedores informais pelas ruas do Centro, Zona Sul, e de muitos bairros de todas as zonas da cidade. O volume é maior, conforme avaliação da Subsecretaria Municipal de Feiras e Mercados (Subsempab), por conta do desemprego que cresce impulsionado pela crise econômica que vive o país.


O ambulante Franciney da Silva Barros, 35, diz que resolveu ir para a rua vender frutas e verduras por conta da dificuldade de vagas no mercado de trabalho, em Manaus, na indústria, no comércio e na construção civil. Para sobreviver, ele diz que compra produtos dos atravessadores que vendem para os feirantes da Manaus Moderna e os revende sobre carrinho de mão, nas proximidades da Praça da Matriz.

Para se garantir na atividade, o ambulante conta que todos os dias foge dos fiscais da prefeitura, que apreendem os produtos e o carrinho de mão, segundo ele. “Ao invés de o ‘rapa’ chegar e tomar as nossas mercadorias, a prefeitura deveria era buscar uma forma de abrir o mercado de trabalho para pessoas como nós, que queremos trabalhar. E muitos andam falando por aí que os nossos produtos não têm qualidade, mas eles são os mesmos que são vendidos na Manaus Moderno e na Feira da Banana”, afirma.

O ambulante Agnaldo Pereira dos Santos, 36, conta que depois que perdeu emprego no comércio, ele escolheu viver da informalidade, no centro da cidade para vender produtos acessórios, porque é muito grande número de pessoas que circulam na região. “O movimento é muito e todos nós conseguimos vender e sobreviver”, diz.

Desocupação

O titular da Subsempab, Fábio Albuquerque, reconhece o crescimento do volume de trabalhadores informais no Centro, reforçada pela crise econômica e pela imigração de estrangeiros (leia mais na B4 e B5). Segundo ele, a prefeitura tem buscado alternativas para desocupar as calçadas do Centro, como o camelódromo próximo ao Terminal 4 (T4), onde serão realocados 2 mil camelôs cadastrados.

Contudo, ele reconhece a dificuldade de controlar o crescimento do número de trabalhadores informais, nas ruas do Centro. Ele conta que, somente no final do ano passado, os fiscais da pasta apreenderam de 100 a 150 carrinhos de mão que são usados para vender frutas e verduras e outros suportes ou produtos de ambulantes não matriculados pelo Município.

De janeiro para fevereiro deste ano, o secretário diz que volume de apreensões caiu para, de 30 a 40 por dia. Mas, basta um passeio no Centro, próximo ao Porto de Manaus e ao Mercado Municipal Adolpho Lisboa, que se encontra algumas centenas de pessoas vendendo sobre carrinhos e caixas, nas ruas e calçadas do Centro.
De acordo com o subsecretário, os fiscais do município notificam por duas vezes de forma corretiva para que o informal não volte a comercializar no local. E na terceira vez a apreensão é feita. Os equipamentos ou produtos passam de 15 a 30 dias apreendidos.

Do jeito que a vida permite

Desde quando perdeu o emprego na construção civil da capital amazonense, há três semanas, o almoxarife Ronaldo Ferreira Roberto, 31, natural de Codajás (a 240 quilômetros de Manaus), passou a vender churrasquinho, numa calçada próximo a feira do produtor, do bairro Jorge Teixeira, Zona Leste. Por cinco anos, ele trabalhou terceirizado em obras do Instituto Nacional de pesquisas da Amazônia (Inpa).

Depois de trabalhar como ajudante nas obras Ronaldo passou a atuar no setor de almoxarifado, área sobre a qual procura vagas pelo Sistema Nacional do Emprego (Sine). Mas, enquanto não encontra, todos os finais de tarde ele deixa sua casa, no bairro Cidade de Deus, Zona Norte, com os dois filhos, para comercializar os churrasquinhos. “Estou procurando por uma vaga de emprego, mas, enquanto eu não encontro, vou vendendo churrasquinho, como minha família já fazia lá em Codajás”, conta.

De 12 a 13 horas por dia, o vassoureiro Ivo Leite de Souza, 48, caminha diariamente por 7 ou 8 bairros, das zonas Leste e Norte de Manaus. Sobre os ombros ele reveza o peso de rodos e vassouras na casada por fregueses que compre os produtos. Ele diz que com a sua idade não consegue mais emprego na indústria, onde tinha experiência como soldador. E agora, para sobreviver ele compra os produtos de revendedores para lucrar, por dia, R$ 60 em média, em dias bons.

Pai de três filhos e com sua esposa que atua como diarista, sem vínculo empregatício, ele diz que, apesar da dureza do dia-a-dia, ele consegue levar a vida e alimentar bem a família. “Não dá para sair por aí e pagar uma pizza para os filhos, porque tenho que ter dinheiro para pagar à vista pelas vassouras, todos os dias, mas temos pelo menos um bom feijão com arroz e um frango todos dias em casa”, comemora.

Concorrência é desleal, diz CDL

A informalidade preocupa os órgãos que representam o comércio de Manaus, por conta da concorrência considerada “desleal” pela Câmara dos Dirigentes Lajistas de Manaus (CDL Manaus). O presidente da entidade, Ralph Assayag, observa que atualmente, nas ruas onde a Prefeitura retirou os camelôs e os realocou em galerias, a presença dos ambulantes é controlada, mas que eles se aglomeram nas outras onde os trabalhos não chegaram.

“No Centro Histórico nós [comerciante regulares] somos cobrados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e pela Prefeitura de Manaus para manter a organização e a limpeza. Mas não adiante de nada se tem muitos ambulantes que sujam a região”, observa o presidente da CDL Manaus.

Por Emerson Quaresma

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