Eleições 2016

A duas semanas das eleições 2016, clima de guerra e baixaria toma conta da campanha em Manaus

Não tem jeito. Parece que é uma regra de cada eleição. A disputa começa com um discurso ameno e, no decorrer da campanha, desemboca para baixarias, ofensas, disse-me-disse. E a eleição de 2016 não seria diferente das anteriores, salvo o tempo que está sendo mais curto que as demais.

Neste primeiro mês de campanha eleitoral e, faltando apenas 17 dias para as eleições, todo aquele discurso adotado pelos nove candidatos a prefeito, de “paz e amor” lá no dia 16 de agosto – quando iniciou a campanha nas ruas – de que fariam uma campanha limpa, honesta e sem subterfúgios, caiu por terra nos últimos dias quando se iniciou uma verdadeira batalha de ataques e ofensas entre candidatos e apoiadores, seja nas redes sociais, seja no campo físico.

A parcimônia das ações deu lugar a discursos duros, insultos e incriminações. E o centro das tensões formou-se em torno dos dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas de intenções de votos: Arthur Neto (PSDB) e Marcelo Ramos (PR). Mas, outros candidatos também aparecem no meio dos embates, como Hissa Abrahão (PDT), Henrique Oliveira (SDD) e Silas Câmara (PRB).

Marcelo Ramos acusa Arthur de ser o autor da elaboração e divulgação de panfletos em que o associa ao governador José Melo (Pros), de quem estaria recebendo apoio, mas sem tornar público, além disso, ele denuncia a divulgação de uma pesquisa irregular de intenção de votos em grupos de WhatsApp e no Facebook, realizado por um blogueiro, que segundo ele, teria ligação com Hissa. Acusação rebatida pelo candidato.

Depois, vieram à tona áudios, vídeos e diálogos em WhatsApp envolvendo candidatos e que acabou inflamando ainda mais o cenário da disputa eleitoral.

Na avaliação do cientista político Carlos Santiago, uma campanha eleitoral possui três fases distintas: primeiro, a apresentação dos candidatos, quem são eles, familiares e experiências; segundo, propostas de governo; e terceiro, comparações com outro candidato, os chamados conflitos. “Há, nos bastidores disso tudo, o chamado ‘articuladores do marketing viral’, que são profissionais que montam vídeos e boatos, espalhando por todos os meios em que a população tem acesso, com interesse de desconstruir a imagem da pessoa perante à sociedade”, afirmou.

Santiago salienta que hoje é muito mais fácil realizar esses “trabalhos” por conta da tecnologia que abrange vários meios, como uma produção de vídeo, comentário, edição de informação, tudo divulgado nos meios sociais.
“Isso não é algo gratuito, que aparece do nada, são grupos organizados, pessoas que têm interesse; e, por trás, tem até profissionais muito bem qualificados e remunerados para construir isso. Antigamente, organizavam-se em pequenos grupos para ficarem conversando em “papo alto” sobre determinado candidato e, com isso, você criava uma onda de informação falsa e até mesmo duradoura em relação aos adversários”.

Segundo ele, a aproximação do pleito acaba gerando uma espécie de ansiedade entre os candidatos, principalmente os mais bem colocados nas pesquisas. “Parece que com essa reta final, resolveu aparecer o espírito do mal.  Todos estão inquietos para chegar ao segundo turno e vão usar todas as ferramentas legais, sofisticada e positiva possível, mas também vão usar mecanismos ilegais, que vira uma onda negativa contra o adversário. Ninguém faz um ato desse que não esteja com uma ligação política. Com certeza tem ligação e interesse”, analisou.

Já para o analista político Afrânio Soares, tudo isso é por conta das pesquisas recém-divulgadas, que sempre mostram um segundo turno. “Pode ser porque os números estão variando pouco e isso cria uma certa impaciência, já que todos mostram dois candidatos no segundo turno”.

Voto
Na opinião de Carlos Santiago, certas informações, mesmo sendo algo verdadeiro, não ficam bem para o parlamentar, político, prefeito e candidatos. Se algum candidato tivesse votado em favor de Eduardo Cunha (PSDB), certamente ficaria muito mal perante ao eleitor. Isso desgasta para as próximas eleições.

“A sociedade tem maturidade pelo tamanho da democracia, condições para separar o que é verdade ou mentira. Não tem muito clima no Brasil, hoje, para ficar mostrando ou apontando para o defeito do outro, de forma crítica e dura”, disse.

Para Afrânio, esse comportamento que candidatos e apoiadores adotam na reta final da campanha gera uma atenção do povo em cima do que está sendo dito, da resposta do candidato, gerando uma certa audiência. Se atrai votos ou repele, vai depender da análise da pessoa, se gostou do que ofendeu ou da resposta de quem foi ofendido. “Isso gera uma atenção na briga”.

Por Jornal EM TEMPO

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