Política

‘A Câmara vai estar aberta para qualquer discussão’, afirma Wilker Barreto

Presidente Wilker fala de seus projetos para a CMM – fotos: Arthur Castro

Em seu segundo mandato à frente da presidência da Câmara Municipal de Manaus (CMM), o vereador Wilker Barreto (PHS) mostra que não veio para brincar. Em entrevista ao EM TEMPO, o parlamentar diz que planeja um biênio de mudanças na administração do Legislativo e, dentre suas metas, ele pretende aperfeiçoar o sistema das ISOs na casa, concretizar o “Câmara Digital” e instalar a Rádio Câmara.

EM TEMPO – Haverá algum diferencial em sua gestão à frente da Câmara Municipal de Manaus (CMM) nesses próximos 2 anos?

Wilker Barreto – A Câmara continuará tendo o papel preponderante. Vamos continuar trabalhando de forma ordeira e madura assuntos de interesse da população com a mesma gestão madura e boas discussões na casa, mantendo a mesma linha de um Legislativo que não se furtou em discutir os problemas da cidade ao longo desses 4 anos.

EM TEMPO – O senhor traçou metas para este novo biênio na presidência do Legislativo municipal?

WB – Os nossos desafios são manter certificações importantes para casa legislativa, como a ISO 9000 e 14000, que são processos contínuos. Dentro de Manaus desconheço prédio público que tenha essas certificações, porque são difíceis de ter e vamos ficar nesse processo de aprimoramento e avanço nesses dois intens. Ou seja, não apenas certificar e, sim, focar na manutenção. Estamos implementando o “Câmara Digital”, que é uma plataforma totalmente online e que ainda está na adaptação porque o processo requer tempo. Então, esses dois pontos fazem o pouco do que precisamos manter. Agora, no que diz respeito ao novo biênio, é continuar administrando a Câmara com pouco e fazendo muito. Perdemos R$ 3 milhões na receita, então com isso, pretendo trabalhar um plano de cargos e carreiras que permita que a Câmara tenha saúde financeira para os próximos anos. Eu fiz, sem nenhum desgaste e conversando com os meus pares, a redução de verba de gabinete por 2 anos, mas não quer dizer que não vai voltar, fiz porque a crise está alta. Vamos rever também 70 anos de leis, que estão em desuso, para depois revogar e colocar em arquivo histórico. A Câmara Municipal de Manaus é considerada como referência para as Câmaras dos municípios do interior e nós vamos dar suporte e treinamento. Nós vamos emprestar tecnologia para eles. E, por último, se Deus quiser, vamos conseguir instalar a nossa Rádio Câmara.

Wilker Barreto planeja adequar o orçamento da Câmara de Manaus à nova realidade financeira

EM TEMPO – Como a Câmara vai conduzir a discussão de temas polêmicos neste semestre, como a inconstante tarifa do transporte público e a implantação do aplicativo Uber em Manaus?

WB – A Câmara vai estar aberta aqui para qualquer discussão. Gosto muito de trabalhar as comissões temáticas. Já apreciamos o requerimento de audiência pública da Uber e foi encaminhado para a Comissão de Transporte. Sobre o transporte coletivo, o problema hoje não é tarifa, porque só aumenta, o que se deve questionar é a qualidade do serviço. Os empresários precisam cumprir o contrato de renovar a frota conforme a Lei Orgânica de Manaus (Lomam), ter mais pontualidade e higienizados. Se o serviço fosse de qualidade, eu lhe garanto que a pressão do reajuste seria bem menor. A prefeitura está fazendo o que pode, porque todo o sistema no Brasil afora é subsidiado. Já me debrucei muito na questão da planilha e defendo que o sistema deva ser da prefeitura. Temos também que fazer a nossa parte, aumentar o rigor da fiscalização.

EM TEMPO – Vereadores novatos questionam a redução da verba de gabinete e pressionam para que se retorne o valor antigo. Existe essa possibilidade?

WB – Impossível! Até porque fizemos em lei. A redução não foi verbal e, sim, por meio de lei. Não foi uma decisão monocrática do presidente e, sim, apreciada no plenário. Eu sou único presidente que faz colegiado quase todas as semanas. Depois do Carnaval, vou me reunir com eles (vereadores) e conversar. Mas isso foi decidido em plenário e até os próximos 2 anos não aumentamos a verba. Se o próximo presidente ver que haverá condições financeiras para aumentar, aí eles decidem.

O vereador diz que não veio para brincar

EM TEMPO – O senhor vai criar um calendário de votação de projetos na casa?

WB – Ordem do dia, todos os dias. Segunda, terça e quarta tem que ter votação, senão acumula. As comissões precisam estar atentas a isso. Eu trabalhei com pauta zerada na legislatura passada. Fiz a reforma no regimento, que permitiu que projetos inconstitucionais não cheguem ao plenário, morram na Comissão de Constituição de Justiça e Redação, se tornando um grande avanço. Pelo menos 250 projetos morreram na CCJ e isso melhorou dando leveza, deixando o plenário voltado naquilo que possa se tornar em lei sendo constitucional. Esses avanços permitiram uma agenda positiva, discutindo, zerando pauta, não ficando nenhum projeto pendente para ser apreciado, e quero manter assim este ano.

EM TEMPO – Em comparação à legislatura passada, nesta a oposição está em maior número. Considerando que o senhor faz parte da base governista, como vai ser o tratamento com esse grupo?

WB – Eu vou dar a eles o mesmo tratamento que foi dado no biênio passado. Eu gosto de usar como exemplo a oposição que votou em mim em 2014 para presidente da casa. A oposição de hoje, se tiver tempo de conviver comigo, vai perceber que eu respeito os seus papéis. Tenho que dar a eles todas as condições de trabalho. Sou aliado do prefeito Arthur Neto (PSDB), mas o meu papel como magistrado é de grande marca e vou trabalhar para eles terem espaço. Um detalhe, a mesa usa das suas prerrogativas quando a oposição achar que pode ultrapassar uma linha. Vou garantir os direitos e prerrogativas, mas a mesa tem comando e não serão permitidos afronta ou desrespeito. Eu fiz um primeiro biênio conciliando, e você não vê nenhum vereador dizendo ou se queixando que eu fui um presidente arbitrário, obviamente não posso perder o controle. A Câmara não vai ser pautada por um ou dois parlamentares. Aqui ninguém é melhor.

EM TEMPO – O seu partido, PHS, é uma das siglas que compõem a maior bancada de vereadores na Câmara. Como o senhor avalia esse crescimento?

WB – Fico feliz porque assumi o partido em 2013 e ele só se resumia em Wilker Barreto. Hoje o PHS, após 3 anos, tem a maior bancada junto com o PTN e PR na Câmara. Crescemos de forma muito grande e, no Amazonas, saímos de um vereador para cinco na “janela” (período no início de 2016, em que abriu para políticos trocarem de partido sem correrem o risco de perderem seus respectivos mandatos), quatro eleitos, além de um vice-prefeito em Tabatinga. O crescimento do PHS é visível, e espero que em nível local nos já devamos sair do anonimato.

EM TEMPO – Diante desse cenário, quais são os planos do PHS para as eleições de 2018?

WB – Vamos manter a linha. O partido só cresce se for unido, pois não se ganha uma eleição se não tiver todo um corpo. O PHS quer manter o trabalho para 2018 e acredito que temos condições de eleger dois ou três deputados estaduais. Estamos batalhando para formar chapa para deputado federal, e isso não é fácil. Nós tivemos em Manaus 82 mil votos e se nós escolhermos um nome para ser deputado federal do partido, temos chance de ganhar. Se nós fragmentarmos, não conseguimos ganhar, por isso, vamos escolher um nome, e todo o PHS caminha na direção desse nome. A nossa estratégia vai ser chapa para deputado estadual sem coligação e um forte para federal. Se não conseguirmos, temos o plano B, que é uma chapa para termos 40 mil votos no mínimo par que o diretório estadual cumpra com a meta do nacional.

EM TEMPO – E o senhor é um desses candidatos para deputado estadual ou federal?

WB – É um processo natural. Se você me perguntar hoje, eu sou um pré-candidato a deputado estadual. Eu quero poder fazer um ciclo na Câmara, acho benéfico e é preciso ter novas experiências para ter um comparativo. Eu preciso caminhar um passo de cada vez e vou colocar no momento certo o meu nome à disposição para ser avaliado.

Diogo Dias
EM TEMPO

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