Política

“A aliança com Arthur está totalmente descartada”, diz Omar após rumores de que Rotta será vice

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O racha entre Arthur e Omar foi anunciado na manhã desta quarta, por falta de ‘afinidade’ – foto: Márcio Melo

Após rumores de uma possível candidatura de Marcos Rotta (PMDB) como vice na chapa de Arthur Neto (PSDB) na disputa eleitoral pela prefeitura de Manaus, o senador Omar Aziz (PSD) declarou na manhã desta quarta-feira (3), que a aliança com o prefeito está “totalmente descartada”. No dia 23, do último mês, Omar tinha formalizado o apoio do PSD à reeleição de Arthur.

Durante a entrevista, Aziz disse ter sido pego de surpresa com o “conchavo político” e declarou não haver mais afinidades no ‘novo’ projeto para que a aliança continuasse.

“[A aliança] está totalmente descartada. Fui surpreendido junto com toda sociedade manauara com esses acordos e esses tipos de conversas que não me agradam. Se faz isso comigo, imagine com os outros”, falou Omar, citando o esforço realizado em Brasília para que o governo federal liberasse um empréstimo de U$ 150 milhões para a prefeitura de Manaus.

“Neste momento, muitas coisas estão sendo feitas pela prefeitura graças ao meu esforço para que aprovassem o empréstimo. Caso contrário, a prefeitura estaria na UTI. Meu papel não é ajudar pessoa A. B ou C, mas a cidade de Manaus. Mas tudo tem um limite. Quem tem respeito por si, respeita os outros. E, nesse momento, é impossível eu continuar apoiando o prefeito Arthur Neto”, enfatizou durante a entrevista.

Omar ressalta que, mesmo faltando 48 horas para as últimas convenções políticas, ainda é cedo para declarar para quem será destinado o apoio do PSD. Segundo o senador, o recuo do apoio ao prefeito da cidade não significa um rompimento, mas ‘falta de afinidade’ com a aliança política. A decisão, segundo ele, será tomada em conjunto.

“Não me aventuro nas decisões que tomo. Deus sempre me conduziu por caminhos certos e eu não quero ir sozinho por esse caminho, quero que Manaus, que a gente tanto ama, me acompanhe. Não posso, nessa altura do campeonato, com a minha idade, fazer aliança política onde não há afinidade. Meu projeto não é pessoal e sim o que é melhor para a cidade, e a gente (partido e aliados) vai procurar. O processo político é assim mesmo e eu vou manter minha coerência”, disse.

O senador ainda declarou que, atualmente, a população avalia três itens nos candidatos: comportamento, alianças e propostas, e que, por isso, é contra o ‘vale tudo’ no processo eleitoral.

“Isso de ‘quem conversou com quem’ é o que menos importa. No final, temos os produtos – que são as convenções – e é isso que será avaliado pelo povo. Tem ou não tem competência pra fazer? Tem ou não tem coerência para seguir? Se você é incoerente em alguns pontos, a população percebe que isso não é bom pra ela”, frisou.

Omar lembrou ainda os dois primeiros anos de Arthur no comando da capital amazonense. “Estendi a mão ao prefeito de Manaus. Resolvi o problema crônico da água, não houve problema no transporte coletivo porque eu tomei a iniciativa de chamar os movimentos e subsidiar passagens para que não houvesse os problemas de outras cidades. Demonstrei o meu amor na prática por Manaus”, falou.

O senador disse não ter ninguém para ‘lançar’ nesta reta final da corrida pela prefeitura, mas declarou que, mais que experiência, a cidade precisa de alguém que a conduza com vigor.
“Manaus é uma cidade que precisa de vigor nesse momento, 24 horas, sem olhar para o lado, focando nos problemas da cidade. O vigor vai fazer essa cidade voltar a sorrir. A experiência ajuda muito, mas quando essa experiência fica com a boca torta ela não colabora em nada”.

Repercussão na Aleam

Na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), o deputado estadual David Almeida (PSD), comentou, na manhã desta quarta (3), a possível aliança entre Arthur e o senador Eduardo Braga (PMDB) para que seja anunciado o nome de Marcos Rotta, após lembrar algumas palavras proferidas pelo prefeito na época em que fora buscar os recursos do governo federal para Manaus na companhia do senador Omar Aziz.

Segundo Almeida, Arthur agradeceu o esforço de Aziz e disse que Braga “travou Manaus por três anos e meio”. Para o deputado estadual, a aliança, se anunciada oficialmente, vai mostrar incoerência e ingratidão.

“Incoerência é pouco se tratando disso. Mas o povo vai saber discernir e entender o que está por trás dessa aliança. Entendo que a coerência e a sensatez não estavam presentes nesta articulação, nessa conjuntura que se formou na noite de ontem”, declarou Almeida no discurso.

Por Rosianne Couto

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