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77% dos colombianos não querem ex-guerrilheiros das Farc na política

foto: divulgação

Os colombianos combinam entusiasmo e receio com relação ao acordo de paz com as Farc. foto: divulgação

 

Se as pesquisas indicam 70% de apoio às negociações e 61% a favor do plebiscito para referendar os pontos do acerto, 77% não querem que os ex-guerrilheiros possam entrar na política e quase 80% não aceitam que tenham anistias e indultos (números do instituto Cifras y Conceptos e da revista “Semana”).

Nas ruas de Bogotá, iluminadas com as luzes de Natal e movimentadas devido ao período de compras, podem-se escutar os argumentos a favor e contrários ao acordo.

“Ninguém pode dizer que é contra a paz, pois essa guerra vem destruindo o país, mas também não dá pra aceitar criminosos sentados no Congresso”, diz Antonio Sepúlveda, 32, comerciante, diante de sua loja de decoração, no centro.

“A paz tem um custo, não é fácil, se fosse, não estaríamos em guerra por mais de 50 anos. Temos de pagar esse preço e aceitar termos que parecem desagradáveis. Apoio o acordo, quero poder viajar e não quero que olhem para o meu passaporte no exterior como sinônimo de perigo”, diz Ana Pérez, 42, que passeava com os filhos no parque La 93, área nobre da cidade.

Outra preocupação recorrente dos colombianos é com o custo do chamado período de “pós-conflito”, no qual serão necessários investimentos do Estado para recuperar áreas antes tomadas pela guerrilha e realocar os mais de 5 milhões de pessoas que abandonaram suas casas para fugir do conflito.

A população de “desplazados” (deslocados) da Colômbia é a maior do mundo entre países que não estão em guerra. A maioria deles vive nas periferias das grandes cidades, como Bogotá.

“Um país em paz é um país que traz investimentos. Mesmo que tenhamos que gastar agora, os frutos são uma Colômbia de economia mais próspera”, diz o empresário Enrique Ortuño, que almoçava no bairro de La Merced.

Segundo o governo, espera-se, a médio prazo, um crescimento adicional do PIB de até três pontos percentuais caso o conflito seja mesmo superado. A paz significaria a recuperação de territórios e de infraestrutura hoje nas mãos das Farc.

A Colômbia cresceu 2,5% em 2015 e é dos poucos países da América do Sul com boas perspectivas de desempenho macroeconômico para 2016, com previsão de um crescimento entre 3,5% e 4% e taxa de desemprego e inflação estáveis.

Caso o acordo tenha sucesso, o PIB poderá crescer então entre 6,5% e 7% a partir de 2017.

 

Por Folhapress

1 Comment

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  1. cesar volpe

    16 de dezembro de 2015 at 09:20

    E como os guerrilheiros pretendem ‘compensar materialmente as vítimas’?… Acaso têm algum dinheiro limpo que não seja do narcotráfico? E quanto aos crimes contra a humanidade? E agora o exército regular de um país tem de se desarmar para que uma facção criminosa aceite fazer o mesmo?!… Esse presidente almofadinha parece que passa o dia fazendo escova no cabelo em vez de mostrar quem manda no país, uma vergonha esse conflito de meio-século bem no seio da própria terra com o povo perdendo tudo e o governo tendo de abrir as pernas dessa maneira…

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