Economia

44% das agências bancárias de Manaus aderem à greve nacional; usuários se dizem prejudicados

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A previsão, segundo o presidente do Seeb-AM, Nindberg Barbosa, é de que até o dia 8, todas as agência tenham aderido à greve – foto: Rosianne Couto

Cinquenta e duas agências bancárias de Manaus, 44% do total, aderiram à greve nacional iniciada na manhã desta terça-feira (6). Além da capital amazonense, outros nove municípios também participam da paralisação que, segundo o Sindicato dos Bancários do Amazonas (Seeb-AM), deve seguir por tempo indeterminado.

A suspensão dos atendimentos nas agências dificultam a rotina dos clientes que não são adeptos aos terminais de pronto-atendimento para efetuarem pagamentos, recebimentos ou quaisquer outras transações bancárias. Quem tem conta para pagar pode recorrer às agências lotéricas, mas, caso o cliente precise sacar o dinheiro na ‘boca’ do caixa, deve entrar em contato com o banco, por telefone, e solicitar uma orientação em como proceder.

A costureira Maria Regina Costa, 56, precisa de um novo cartão da agência Bradesco, onde é correntista, porque a maioria das clientes que possui fazem depósitos em sua conta pelos serviços prestados.

“É muito ruim a gente sair de casa em busca de um serviço e não ter. Eles lutam pelas melhorias deles, mas sempre prejudicando o povo e eu não acho isso justo”, falou a costureira.

Outro caso semelhante aconteceu com o aposentado João Carlos Oliveira, 83, que estava em uma agência da Caixa Econômica Federal, na companhia da filha, a contadora Albanice Coelho, 32, para buscar informações de como requerer um novo cartão do banco para que consiga receber os benefícios a que tem direito.

“Meu pai não lembra para quem e nem em qual banco deixou o cartão dele e eu nem sabia que os bancários entrariam em greve hoje. Vim acompanhá-lo para tentarmos resolver e, ainda no ônibus, soube da paralisação, mesmo assim optamos por descer e procurar um esclarecimento. Infelizmente, porém, eles disseram que não podem fazer nada porque está tudo parado”, disse a contadora.

As movimentações nas contas via internet ou nos caixas eletrônicos não devem ser afetadas pela paralisação. “Os clientes devem procurar as poucas agências que seguem abertas ou usarem os serviços oferecidos pela internet porque, infelizmente, o atendimento personalizado será prejudicado”, disse Nindiberg Barbosa, presidente do Seeb-AM.

A previsão do Sindicato dos Bancários é de que, até a próxima quinta-feira (8), todas as 119 agências da capital amazonense participem da greve. Das 30 que ficam localizadas no interior do Estado, nove já aderiram, nos municípios de Carauari, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Maués, Parintins, Rio Preto da Eva e Tabatinga.

De acordo com informações do presidente do sindicato, até o final da manhã desta terça, apenas 21 agências do Banco do Brasil e 46 agências privadas estavam em plena atividade em Manaus.

Reivindicações

A categoria reivindica reajuste salarial de 14,78%, dos quais 5% de aumento e 9,31% de reposição da inflação, além de outros benefícios, como contratações de mais bancários, metas menos abusivas, mais segurança e, em alguns casos, plano de saúde.

Os grevistas pedem ainda o piso salarial fixado em R$ 3.940,24, vales-alimentação, 14º salário, além da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) de três salários, mais R$ 8.297,61.

Proposta da Fenaban

A proposta apresentada pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) inclui reajuste de 6,5%, mais R$ 3 mil de abono. O Comando Nacional dos Bancários diz que essa proposta representa perda real de 2,8% (ao descontar a inflação de 9,57%).

Para a Fenaban, se somados o abono e o reajuste, haverá “ganho superior à inflação na remuneração do ano da grande maioria dos funcionários do sistema bancário”.

A proposta ofertada, segundo Nindberg Barbosa, soa como “um insulto para a categoria”, pois segundo o presidente da Seeb-AM, não contempla a reposição da inflação dos últimos meses.

Por Rosianne Couto

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