Dia a dia

Manaus é uma das cidades mais homofóbicas do país

Considerada uma das capitais mais homofóbicas do país, Manaus vem registrando desde 2015 números alarmantes de crimes contra a comunidade LGBT. Dados do movimento que representa a classe no Amazonas revelam que nos últimos 2 anos, mais de 50 homossexuais foram mortos no Amazonas. A maioria dos crimes até hoje não foi esclarecida.

O relatório, baseado em informações do grupo LGBT do Estado da Bahia, mostra ainda que Manaus é a capital da região Norte do país que mais mata gays. O levantamento aponta também que a capital amazonense é considerada a sétima cidade mais perigosa do Brasil, no sentido de moradia para os homossexuais.

Ontem, representantes do movimento LGBT Manaus estiveram reunidos com a delegada da Polícia Civil Leila Silva e com uma representante da Sejusc, para discutirem ações de enfrentamos que possam esclarecer e combater as violências sofridas pelos homossexuais no Amazonas. Na ocasião, foram informados os Distritos Policiais e a Varas Cíveis bonde tramitam cada processo.

Durante o encontro, a coordenadora do movimento, Bruna La Close, informou que, em 2015, foram registrados 18 casos de homicídios contra homossexuais. No ano passado, esse número subiu para 26 mortes e, em 2017, já foram confirmados seis assassinados. Desse total, 29 casos continuam sem respostas, e os autores dos crimes não foram identificados e punidos.

Em 2017,já foram confirmados seis assassinados por motivos relacionados à homofobia – Divulgação

“O massacre aos homossexuais acontece aqui em Manaus. Os que mais sofrem com esse tipo de violência são os gays e as travestis. Além desse longo tempo que estamos sem soluções nos casos, analisamos que não se noticiou um assassino de homossexual indo para a cadeia pública ou sendo julgado e condenado. Observamos um descaso, por isso estamos pedindo socorro, mais investigações, agilidade e veracidade nesses casos perante às autoridades”, disse La Close.

Bruna, que vem organizando diversos atos de sensibilização e protesto desde o ano passado para chamar a atenção da sociedade em geral, aguarda agora uma resposta sobre o pedido de audiência pública que deve ser realizada na Câmara Municipal de Manaus (CMM). Após a conclusão dessas etapas, o movimento LGBT irá procurar o comando do Tribunal de Justiça do Amazonas (Tjam) para ter conhecimentos sobre os processos que tramitam na entidade.

“Agora já sabemos onde estão os processos e como está o andamento de cada um. Além disso, queremos levar esse assunto para a CMM e Tjam. Precisamos mobilizar o maior número de autoridades para estancar esses crimes. Quero deixar claro que não queremos desavença com ninguém, só estamos atrás de parceria para que de alguma maneira se encontre uma solução para esse alarme”, salientou.

Já a delegada Leila Silva, encarregada dessa demanda, disse que os processos foram vistos um a um e todas as informações foram repassadas para o movimento, nesta segunda reunião. Leila destacou que a maior dificuldade para dar andamento nas investigações ainda é a falta de esclarecimento de ambas as partes.

Sobre os casos que tramitam na Justiça, a delegada não soube informar o andamento do processo, tendo em vista que todos estão em regime de segredo.

Gerson Freitas
EM TEMPO

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